Lula critica “promiscuidade” na política durante reunião ministerial de despedida
Em encontro com ministros que deixarão o governo para disputar eleições, o presidente defendeu a participação deles no Congresso, criticou o alto custo das campanhas e afirmou que a política perdeu seriedade nos últimos anos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conduziu nesta terça-feira (31) uma reunião ministerial em Brasília marcada pela despedida de integrantes do governo que deixarão os cargos para disputar as próximas eleições. Durante o encontro, Lula afirmou que é preciso enfrentar o que chamou de “promiscuidade” na política brasileira e destacou a importância da participação desses ministros no processo eleitoral.
Segundo o presidente, ao menos 14 ministros já comunicaram a decisão de deixar o governo para concorrer a cargos públicos, enquanto outros ainda avaliam a saída. Lula afirmou que, desde o início do mandato, deixou claro que não impediria integrantes da equipe de disputar eleições. “Disse quando iniciamos o governo que eu não criaria objeção a ninguém que quisesse ser candidato”, declarou.
Para o presidente, a presença desses nomes no Congresso pode contribuir para mudanças no sistema político. Ele criticou o funcionamento atual da política e afirmou que houve perda de seriedade no ambiente institucional. “É importante que vocês estejam dispostos a entrar na vida congressual para ajudar a mudar a promiscuidade que está estabelecida na política mundial e brasileira”, disse.
Lula também citou uma frase recorrente do ex-deputado Ulysses Guimarães, segundo a qual muitas mudanças políticas acabam piorando a situação existente. Na avaliação do presidente, no entanto, o cenário atual se deteriorou ainda mais. “Ainda tem muita gente séria, que faz política com ‘P’ maiúsculo. Mas, em muitos casos, a política virou negócio”, afirmou.
Outro ponto destacado foi o custo elevado das campanhas eleitorais. Lula relatou ter ouvido que uma candidatura a deputado federal poderia custar cerca de R$ 50 milhões. Para ele, se valores desse tipo forem reais, isso compromete a credibilidade do processo político.
O presidente também reconheceu que a falta de reformas estruturais envolve responsabilidade coletiva. Segundo ele, muitas mudanças deixam de ser propostas para evitar conflitos políticos. Na sua avaliação, transformações só ocorrerão com maior mobilização popular. “Só vai mudar se a gente convencer o povo de que ele, e somente ele, tem condições de mudar o quadro político”, afirmou.
Lula classificou o encontro como um momento de “dissolução” parcial do governo, em razão da saída de ministros, mas avaliou o processo de forma positiva e agradeceu aos integrantes da equipe pelo trabalho realizado.
Durante a reunião, o presidente também defendeu o desempenho da atual gestão e comparou os resultados com administrações anteriores. Segundo ele, o governo realizou avanços com mais precisão e qualidade.
Ao comentar a estrutura administrativa herdada, Lula afirmou que a reconstrução de diversos ministérios foi um desafio. Como exemplo, mencionou o quadro reduzido de servidores no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que, segundo ele, voltou a operar com cerca de 700 funcionários a menos do que em períodos anteriores.
Encerrando a fala, o presidente criticou a forma como o Estado brasileiro foi organizado nos últimos anos e afirmou que o país acabou sendo estruturado de maneira que dificulta seu funcionamento.