Rui Costa diz ter “preocupação zero” com eventual delação premiada de Vorcaro
Ministro da Casa Civil reage a articulações de colaboração premiada do dono do Banco Master visando atingir o PT
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou ter “preocupação zero” diante da possibilidade de o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, firmar um acordo de delação premiada que, segundo informações de bastidores, visaria atingir o PT e o governo do presidente Lula. A declaração foi dada em meio ao aumento da tensão política em Brasília.
As informações foram divulgadas pela jornalista Vera Rosa, do jornal Estado de S. Paulo, que relata um ambiente descrito como de “delação do fim do mundo” na Praça dos Três Poderes, diante das possíveis revelações envolvendo o banco e suas conexões políticas.
Segundo a reportagem, Vorcaro negocia uma colaboração premiada com o objetivo de obter benefícios judiciais e, nesse contexto, interlocutores do empresário indicam que ele pretende incluir nomes ligados ao PT e ao governo federal em suas declarações. Até o momento, as investigações envolvendo o Banco Master já teriam atingido ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além de políticos e dirigentes partidários associados ao Centrão.
Reação do governo e foco na Bahia
Rui Costa, que foi governador da Bahia durante a expansão do Banco Master, reagiu de forma direta às especulações. “Minha preocupação com isso é zero”, afirmou o ministro, conforme a reportagem.
De acordo com o texto, há expectativa de que a delação possa explorar supostas conexões entre o PT baiano e o empresário Augusto Lima, ex-sócio do banco. Interlocutores próximos ao caso afirmam que os negócios na Bahia iriam além da venda da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e da criação do cartão CredCesta, destinado a servidores públicos com desconto em folha.
Ainda segundo essas fontes, haveria um conjunto mais amplo de operações interligadas, com suspeitas de lavagem de dinheiro como pano de fundo. As acusações, no entanto, ainda dependem de comprovação no âmbito das investigações oficiais.
Estratégia jurídica e limites da delação
A movimentação de Vorcaro inclui a troca de sua defesa. O advogado José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, assumiu o caso no lugar de Pierpaolo Bottini. Juca tem histórico de atuação em casos de grande repercussão, como o mensalão e colaborações premiadas da Lava Jato.
Nos bastidores do STF, porém, há resistência à possibilidade de uma delação seletiva. Advogados próximos ao ministro André Mendonça, relator do caso, avaliam que uma eventual colaboração que poupe determinados grupos políticos enquanto atinge outros não será aceita. Nesse cenário, as informações apresentadas por Vorcaro deverão ser confrontadas com dados já reunidos pela Polícia Federal. www.brasil247.com