Morre Luiz Carlos Barreto, um dos maiores nomes do cinema brasileiro, aos 98 anos

O cineasta, produtor e diretor de fotografia Luiz Carlos Barreto morreu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos. Conhecido como “Barretão”, ele foi um dos principais responsáveis pela consolidação do cinema brasileiro moderno e deixa um legado de mais de 60 anos dedicados à produção audiovisual.

Natural de Sobral (CE), Barreto nasceu em 1928 e iniciou a carreira como fotógrafo da revista O Cruzeiro. O contato com o cinema aconteceu durante a cobertura das filmagens de Barravento (1961), primeiro longa-metragem de Glauber Rocha, experiência que o levou a ingressar definitivamente na produção cinematográfica.

Em 1962, escreveu, ao lado de Roberto Farias, o roteiro de O Assalto ao Trem Pagador, considerado um dos clássicos do cinema nacional. Pouco depois, tornou-se um dos principais nomes do movimento Cinema Novo, atuando como diretor de fotografia em obras marcantes como Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, premiado no Festival de Cannes, e Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha.

Na segunda metade da década de 1960, passou a dedicar-se à produção cinematográfica. Fundou a distribuidora Difilm e, posteriormente, a produtora L.C. Barreto ao lado da esposa, Lucy Barreto. A empresa se transformou em uma das mais importantes do país, responsável por sucessos que marcaram gerações.

Entre as produções de maior destaque estão Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), dirigido por Bruno Barreto, que se tornou um dos maiores sucessos de bilheteria da história do cinema brasileiro, além de Bye Bye Brasil (1979), de Carlos Diegues, e Memórias do Cárcere (1983), de Nelson Pereira dos Santos.

O trabalho da L.C. Barreto também ampliou a presença do cinema brasileiro no cenário internacional. A produtora conquistou duas indicações ao Oscar de Melhor Filme Internacional com O Quatrilho (1996), dirigido por Fábio Barreto, e O Que É Isso, Companheiro? (1997), dirigido por Bruno Barreto.

Ao longo da carreira, Luiz Carlos Barreto participou da realização de mais de 70 filmes e teve papel decisivo na defesa e no fortalecimento da indústria audiovisual brasileira. Além da produção cinematográfica, atuou na formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do setor, tornando-se uma das principais referências da cultura e do cinema nacional.