Especialista orienta como as empresas devem se preparar para se adequarem às mudanças nas normas trabalhistas
Duas grandes mudanças no mundo do trabalho devem mudar profundamente a rotina dentro das empresas nos próximos meses – a NR 01 e a possível mudança na jornada de trabalho. Especialista explica que empresas precisam sair do modelo de desgaste, onde se premia quem suporta mais pressão, e entrar em um modelo de performance sustentada onde se valoriza quem entrega resultado com consistência
O trabalhador brasileiro iniciou maio com um calendário que vai além da celebração ao Dia do Trabalhador. O mês dá largada a mudanças profundas em sua rotina. A primeira está valendo, é a Norma Regulamentadora 01, a NR 01. Ela estabelece novas diretrizes para saúde e segurança no trabalho, obrigatórias para qualquer empresa que tenha funcionários em regime de CLT, prevendo a inclusão de fatores como estresse, burnout, assédio e violência no trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A partir do dia 26, haverá inspeções (por enquanto de caráter educativo) para fiscalizar se as organizações já começaram a seguir as novas exigências.
Tão impactante quanto a atualização da NR 01 é a possibilidade do fim da escala 6×1 no Brasil, que também ganhará um novo capítulo durante este mês. A Câmara dos deputados já instalou uma comissão especial, que analisará a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) e um Projeto de Lei do Governo. As propostas são de que seja implementada a escala 5×2 – cinco dias trabalhados por semana e dois de folga – sem prejuízo para o salário; outra proposta pleiteia a escala 4×3 – quatro dias trabalhados e três de folga. A comissão deve entregar o parecer até o final do mês e depois segue para votação no plenário.
Especialmente para as organizações que não podem contratar mais pessoas, as mudanças trazem desafios: as empresas precisarão investir em mais eficiência na produção – uma vez que a jornada de trabalho irá diminuir – sem sobrecarregar o colaborador – um dos principais motivos que levam ao esgotamento mental dos trabalhadores que agora será fiscalizado com a vigência da redação da NR-1.
Para o consultor em gestão e desenvolvimento humano, Rubens Berredo, o empresário precisa lidar com uma virada de chave na engrenagem do seu negócio para enfrentar uma nova realidade. “Estamos vivendo um momento de transição: saindo de um modelo de trabalho baseado no desgaste humano, onde muitos negócios ainda dependem de esforço excessivo para gerar resultado, para um modelo de sustentabilidade de performance, baseado em produtividade, previsibilidade e inteligência de execução”, define.
A era que valorizou os workaholics, os colaboradores que aguentam mais pressão e se desgastam pelo trabalho, tende a ser substituída por uma era em que colaboradores serão estimulados a serem mais eficientes de forma sustentável e equilibrada, separando tempo para outras áreas de sua existência. “O empresário que entender isso primeiro não apenas se adapta, como também sai na frente da concorrência. Os modelos antigos não voltam mais”, diz.
Para o consultor, que já treinou 40 mil pessoas em liderança, gestão e desenvolvimento humano e passou por mais de 350 empresas, é preciso desenvolver um roteiro prático para lidar com as mudanças que virão pela frente.
“Quando falamos sobre o fim da escala 6×1, será necessário, o empresário precisa primeiro fazer uma lista de prioridades, eliminando atividades e reuniões desnecessárias, retrabalho e processos lentos. Mais do que uma mudança operacional, o empresário precisará adotar uma nova mentalidade: metas devem ser estruturadas a partir da produtividade, da eficiência e da geração de valor”, recomenda.
Já em relação à NR 01, Rubens recomenda revisar a estrutura operacional, criar uma política clara de saúde mental, e deixá-la bem transparente para os colaboradores. Ele lembra que as novas gerações ao mercado trabalham por propósito, o que vai ao encontro deste novo modelo do mundo do trabalho. “Muitas organizações já vinham migrando para este modelo, com bons resultados. Mas agora, um melhor ambiente de trabalho deixa de ser estratégia, uma opção, para se tornar obrigação”, salienta.
O consultor lembra ainda que os empresários precisam focar na escolha e treinamento dos seus líderes, porque são eles que vão conduzir essas mudanças no dia a dia. “Não basta criar políticas, é preciso acompanhar o time de forma contínua.
Um bom desenvolvimento dos líderes no negócio sustenta a operação especialmente em momentos de mudanças significativas, como essa”, diz ele.
Autor do livro Liderança como Estilo de Vida (Editora Kelps), com lançamento previsto também para o dia 22 de maio, no Salão Nobre da Alego, ele destaca que somente um líder tem capacidade real de conduzir, mobilizar e engajar as pessoas para alcançarem resultados acima da média.