Maio Amarelo: Goiás registrou mais de 46 mil ocorrências de trânsito em 2025
Estado contabilizou 187 mortes no período; especialista alerta para crescimento da imprudência nas vias urbanas e rodovias de acesso às cidades
O trânsito goiano segue registrando números alarmantes mesmo diante do avanço das campanhas de conscientização. Dados do Registro Nacional de Sinistros e Estatísticas de Trânsito revelam que Goiás contabilizou 46.987 incidentes veiculares e 187 mortes ao longo de 2025. O cenário acompanha a realidade nacional, que ultrapassou 1,1 milhão de sinistros e 21.187 óbitos no período. Para especialistas em mobilidade, os números evidenciam que comportamentos de risco continuam sendo uma das principais causas de colisões graves e fatais no país.
Para o engenheiro e mestre em Transportes, Matheus Duarte, o cenário evidencia que ainda existe uma cultura de normalização de comportamentos perigosos no trânsito brasileiro. “Esses números revelam que os sinistros de trânsito continuam sendo um dos grandes desafios da segurança pública e da mobilidade urbana no Estado de Goiás. Quando falamos em quase 47 mil ocorrências e 187 vidas perdidas, não tratamos apenas de estatísticas, mas de pessoas, famílias e trajetórias interrompidas. Dentro da lógica da Visão Zero, qualquer morte no trânsito deve ser considerada inaceitável”, afirma.
Duarte ainda aponta que, apesar do avanço das campanhas de conscientização e da fiscalização, fatores como excesso de velocidade, uso do celular ao volante, ultrapassagens indevidas, desrespeito à sinalização e consumo de álcool antes de dirigir seguem entre as principais causas dos sinistros graves. Nas áreas urbanas, a distração ao volante tem aumentado os riscos principalmente em cruzamentos e avenidas de grande fluxo. Já nas rodovias de acesso aos centros urbanos, a velocidade excessiva continua sendo um dos fatores que mais contribuem para mortes no trânsito.
Excesso de velocidade amplia risco de mortes
Durante o Maio Amarelo, campanha internacional voltada à conscientização para redução de mortes no trânsito, o engenheiro reforça que a velocidade excessiva continua sendo um dos principais agravantes dos sinistros registrados em Goiás e em todo o país. Segundo Matheus Duarte, além de aumentar as chances de colisão, a alta velocidade reduz significativamente o tempo de reação dos condutores diante de situações inesperadas.
O especialista explica que, em muitos casos, pequenas infrações acabam sendo subestimadas pelos motoristas, mesmo possuindo alto potencial de provocar acidentes fatais. “A velocidade está diretamente relacionada à gravidade dos sinistros. Quanto maior a velocidade, menor é o tempo de reação do condutor e maior é a energia liberada no impacto. Estudos internacionais mostram que um aumento de apenas 1% na velocidade média pode elevar em até 4% os sinistros fatais. Por isso, medidas de controle de velocidade são fundamentais para preservar vidas”, pontua.
Matheus também destaca que o problema se intensifica nos acessos rodoviários às cidades, onde o grande fluxo de veículos combinado à imprudência aumenta os riscos de colisões graves. “Nas regiões metropolitanas existe uma combinação de fatores que amplia o risco de sinistros graves, como grande volume de veículos, deslocamentos pendulares, excesso de motocicletas e velocidades incompatíveis com o ambiente urbano. Quando isso se soma à distração e aos conflitos em cruzamentos, a severidade dos acidentes aumenta significativamente”, ressalta.
Distração ao volante preocupa em vias urbanas
Além da velocidade, o uso do celular ao volante tem se tornado um dos principais fatores de risco nas vias urbanas. Conversas por aplicativos, envio de mensagens e uso de redes sociais durante a condução comprometem a atenção dos motoristas e aumentam a probabilidade de colisões e atropelamentos.
Segundo Matheus Duarte, o comportamento é ainda mais preocupante em avenidas movimentadas e regiões de grande circulação de pedestres, ciclistas e motociclistas. “O uso do celular ao volante reflete muito a dinâmica da sociedade atual. As pessoas estão sempre com pressa e tentando resolver várias coisas ao mesmo tempo. O problema é que dirigir exige atenção contínua. Quando o motorista usa o celular, ele percorre vários metros praticamente sem atenção plena à via”, destaca.
O especialista lembra ainda que o trânsito exige atenção constante e tomada de decisão rápida, o que torna qualquer distração um fator de risco importante. “Nas áreas urbanas, onde existem muitos pontos de conflito e maior presença de usuários vulneráveis, essa distração pode transformar uma situação simples em um sinistro grave”, explica.
Segurança viária exige mudanças estruturais e culturais
A redução dos sinistros depende não apenas da conscientização individual, mas também de investimentos contínuos em infraestrutura e planejamento urbano. Medidas como melhoria da sinalização, ampliação de travessias seguras, fiscalização em pontos críticos e criação de áreas de velocidade reduzida estão entre as ações apontadas como essenciais para reduzir mortes no trânsito.
Matheus Duarte destaca que campanhas como o Maio Amarelo cumprem um papel importante ao ampliar o debate sobre segurança viária, mas reforça que os resultados dependem de ações permanentes ao longo do ano. “A conscientização é indispensável, mas sozinha não resolve. É preciso combinar educação, fiscalização, engenharia e planejamento urbano. Implantação de zonas de velocidade reduzida, melhoria das travessias de pedestres, ciclovias seguras, fiscalização inteligente e fortalecimento do transporte público são medidas fundamentais para reduzir os sinistros e tornar as cidades mais seguras”, afirma.
Além dos impactos humanos, os incidentes veiculares geram reflexos diretos no sistema de saúde, na mobilidade urbana e na economia. Para o especialista, enfrentar os números registrados em Goiás exige atuação conjunta entre poder público, iniciativa privada e sociedade. “Neste Maio Amarelo, a principal reflexão é que o trânsito não é um espaço individual. Cada decisão tomada ao volante impacta diretamente a vida de outras pessoas. Toda estratégia de segurança viária deve partir de um princípio básico: nenhuma morte no trânsito é aceitável”, conclui.
Sobre o Mova-se Fórum Nacional de Mobilidade @movaseforumdemobilidade
O Mova-se Fórum Nacional de Mobilidade foi criado em 2021 por especialistas em mobilidade urbana de diversas áreas, com o intuito de discutir e contribuir com soluções para a mobilidade do Brasil. O grupo, que começou com quatro integrantes e hoje conta com mais de 600 profissionais – entre técnicos, pesquisadores e professores do segmento no país, tornou-se destaque em pesquisas e desenvolvimento de conhecimento sobre transporte público, pedestres, vias inteligentes e temas relacionados.