Do oceano à corrente sanguínea: como os microplásticos afetam a saúde
Especialista do CEUB sugere dicas para minimizar a exposição às partículas invisíveis que atuam como “ímãs” de substâncias tóxicas no organismo
Eles estão no copo de café, nas roupas sintéticas e até na poeira de casa. Com tamanhos inferiores a 5 milímetros, os microplásticos se tornaram uma das maiores preocupações da ciência moderna. Muito além da poluição marinha, essas partículas já são detectadas em amostras humanas, como fezes e sangue, acendendo um alerta para a saúde pública. De acordo com Fabíola Castro, microbiologista e professora de Medicina do CEUB, a exposição constante a esses resíduos pode causar de inflamações celulares até danos ao DNA.
“ Diferente de outros materiais, o plástico não se biodegrada. Ele apenas se fragmenta em pedaços cada vez menores que permanecem no ambiente por décadas”, explica Fabíola, ressaltando que o perigo pode ser ainda maior quando os resíduos se tornam um vetor para outros itens tóxicos. “Os microplásticos atuam como um ‘Cavalo de Troia’. Eles têm a capacidade de atrair e transportar metais pesados e poluentes orgânicos. Ao ingerirmos ou inalarmos essas partículas, levamos para dentro do corpo um coquetel de substâncias que podem causar estresse oxidativo e disfunção metabólica”, alerta a especialista.
Dicas práticas para reduzir a exposição
Embora a onipresença dessas partículas torne a eliminação total um desafio, a pesquisadora do CEUB destaca cinco mudanças de hábito que podem reduzir significativamente a ingestão invisível no dia a dia:
1. Vidro em vez de plástico: Nunca aqueça recipientes plásticos no micro-ondas. O calor acelera a liberação de bilhões de micropartículas diretamente na comida. “A orientação é sempre priorizar o vidro ou a cerâmica quando se trata de alimentos e bebidas”, pontua.
2. Abandone o copo descartável: O contato de bebidas quentes (café ou chá) com o plástico libera partículas em poucos minutos. Tenha sempre sua caneca de louça ou inox. “Além de sustentável, é mais saudável para o corpo”.
3. Troque os utensílios de cozinha: Tábuas de corte de plástico e colheres de nylon sofrem desgaste e soltam fragmentos. A recomendação é optar por utensílios de bambu ou aço inoxidável.
4. Cuidado com alimentos filtradores: Moluscos, como ostras e mexilhões, são animais filtradores que acumulam microplásticos. Alterne o consumo dessas proteínas para reduzir a carga acumulada.
5. Filtros de água: Utilize filtros de alta eficiência em casa. Eles ajudam a barrar parte das microesferas que podem estar presentes tanto na rede de abastecimento quanto em águas engarrafadas.
Fabíola ressalta ainda que é preciso estar atento ao microplástico secundário, fruto da fragmentação de garrafas e embalagens e o mais comum e perigoso, por entrar na cadeia alimentar de forma silenciosa. “A ciência hoje trata este tema como uma fronteira da toxicologia. Precisamos entender que o descarte incorreto de um plástico hoje é uma ameaça direta à nossa biologia amanhã”, finaliza a especialista.