Pesquisa brasileira aprimora terapia CAR-NK e amplia potencial contra tumores

Estudo do Centro de Terapia Celular identifica combinações de sinais intracelulares que aumentam a capacidade de células NK modificadas de destruir o câncer, com resultados promissores em modelos animais

Pesquisadores do Hemocentro de Ribeirão Preto e do Centro de Terapia Celular (CTC) avançaram no desenvolvimento de terapias celulares contra o câncer ao testar novas configurações de receptores quiméricos (CAR) em células natural killer (NK). O estudo demonstrou que a incorporação de domínios coestimulatórios específicos torna essas células mais eficazes no combate a tumores.

A pesquisa utilizou a linhagem NK-92 como plataforma experimental para avaliar diferentes modelos de CAR contendo os domínios 2B4 e DAP12, conhecidos por participar da ativação das células NK. Os resultados indicaram que essa combinação deixa as células em um estado funcional mais preparado para o ataque tumoral, aumentando sua capacidade citotóxica. Os dados foram publicados na revista científica Frontiers in Immunology.

O Centro de Terapia Celular integra o programa Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs), financiado pela FAPESP, e é sediado no Hemocentro de Ribeirão Preto. Segundo os pesquisadores, embora as terapias CAR já tenham transformado o tratamento de cânceres hematológicos, sobretudo com células CAR-T, ainda há lacunas importantes no entendimento de quais sinais intracelulares são mais eficientes para potencializar as células CAR-NK.

Além da engenharia dos receptores, o estudo explorou uma estratégia adicional de controle da ativação celular por meio do uso temporário do medicamento dasatinibe. Em experimentos com modelos animais, células CAR-NK contendo os domínios 2B4-DAP12 e submetidas ao pré-tratamento farmacológico apresentaram desempenho superior no controle do crescimento tumoral quando comparadas às versões convencionais da terapia.

De acordo com os autores, a combinação entre coestimulação otimizada e regulação farmacológica reversível pode abrir caminho para terapias CAR-NK mais seguras, potentes e adaptáveis. A abordagem contribui para o desenvolvimento de novas gerações de tratamentos celulares e reforça o papel da pesquisa nacional na inovação em imunoterapia contra o câncer.

Mais informações sobre o estudo estão disponíveis em vídeo publicado no canal do Hemocentro de Ribeirão Preto no YouTube.