Holiday Blues: por que dezembro também adoece?
Entre as pessoas com transtornos mentais preexistentes, 64% relatam piora dos sintomas durante as festas de fim de ano
Fim de ano nem sempre significa alegria: cresce a incidência do chamado “Holiday Blues” ou “dezembrite”, como é popularmente chamado no Brasil, um fenômeno marcado por tristeza, ansiedade, sensação de vazio ou nostalgia durante o período de festas, quando aumentam os compromissos, expectativas, encontros familiares e reflexões sobre o ano que se encerra. Sintomas como cansaço, irritabilidade, tristeza, isolamento, perda de energia ou dificuldade para dormir e se concentrar podem aparecer mesmo em pessoas que normalmente não apresentam transtornos psiquiátricos.
Para a psicóloga Marilene Martins, diretora do Instituto Habiens, é importante chamar atenção para esse tipo de sofrimento: “Muita gente chega em dezembro pressionada por cobranças — pessoais, sociais, familiares — de que tudo tem que ser feliz, perfeito, de que vai haver reencontros, afetos, celebrações. Quando a realidade concreta não corresponde às expectativas, ou quando há perdas, saudades, dificuldades financeiras, relacionamentos marcados por conflitos, a pressão emocional se torna uma carga pesada. A ‘dezembrite’ fragiliza especialmente quem está mais vulnerável, porque reforça sentimentos de inadequação, culpa ou solidão.”
Apesar de ser muitas vezes vista como algo passageiro, o “Holiday Blues” não deve ser subestimado. Entre as pessoas com transtornos mentais preexistentes, 64% relatam piora dos sintomas durante as festas. E mesmo quem não sofre de depressão pode sentir a sobrecarga desse contexto. A psicóloga alerta: “é fundamental honrar o que a gente sente, reconhecer os próprios limites, não se martirizar por não corresponder a um padrão de felicidade. Buscar apoio, manter hábitos saudáveis, cuidar de si e, se necessário, procurar ajuda profissional, são atitudes fundamentais para atravessar esse período com equilíbrio.”
A pauta convida à reflexão sobre o quanto as festas de fim de ano, com toda a sua simbologia de alegria e reencontro, também podem intensificar dores silenciosas; e destaca a necessidade de olhar com atenção para a saúde emocional, oferecendo espaço de fala a quem se sente vulnerável.