Desenrola Adimplentes: 5 dicas para saber se vale a pena renegociar dívidas

Programa permite trocar operações de crédito por outra com juros de até 1,99% ao mês. Especialista do CEUB orienta comparar o custo e evitar contratar valor além

O Desenrola Adimplentes permite que trabalhadores sem vínculo formal de emprego troquem determinadas dívidas por um novo empréstimo com juros mais baixos. Antes de aderir ao programa, o professor de Administração do Centro Universitário de Brasília (CEUB) Mateus Leite orienta os interessados a comparar a taxa, o prazo e o valor total a pagar. Segundo ele, uma parcela menor pode aliviar o orçamento no curto prazo sem, necessariamente, tornar a dívida mais barata.

Instituído pela Medida Provisória nº 1.373/2026, o programa prevê taxa nominal de juros de até 1,99% ao mês e crédito limitado a 150% do saldo devedor. A modalidade abrange determinadas operações de crédito pessoal sem consignação, mas deixa de fora dívidas de cartão de crédito rotativo ou parcelado e de cheque especial. “Antes de contratar, o consumidor deve verificar se conseguirá pagar as parcelas até o fim do contrato. Para quem tem renda variável, o ideal é fazer essa conta com base nos meses de menor ganho e não nos de maior faturamento”, orienta Leite.

Confira cinco cuidados recomendados pelo docente do CEUB:

1. Compare o custo total da dívida

O principal erro é considerar apenas o valor da nova prestação. A parcela pode ficar menor porque o prazo aumentou, fazendo com que o consumidor pague mais juros ao longo do contrato. “O erro mais comum é olhar só o valor da parcela. Ela pode parecer um alívio, mas vir acompanhada de um prazo maior e de mais juros. O número que realmente importa é o total que será pago”, explica Leite.

Antes de contratar, compare:
a taxa de juros mensal e anual;
a quantidade de parcelas;
o valor de cada prestação;
o custo total da operação.

Pelas regras do programa, os juros da nova operação devem ser inferiores aos da dívida original. A nova parcela também deve corresponder a, no máximo, 90% da prestação anterior.
1. Verifique se a troca gera economia
A renegociação só é vantajosa quando reduz o custo da dívida, não apenas a parcela mensal. “A regra de ouro é trocar apenas se os juros e o valor total a pagar forem menores”, afirma o professor do CEUB. Também é necessário confirmar se a dívida está entre as modalidades atendidas pelo programa. Cartão de crédito e cheque especial, por exemplo, ficam de fora.

1. Refaça o orçamento
A renegociação pode dar fôlego financeiro, mas não resolve o problema se os gastos continuarem acima da renda. A orientação é anotar, durante um ou dois meses, tudo o que entra e sai da conta. Depois, é preciso separar as despesas essenciais, como moradia, alimentação, transporte e a parcela da dívida, dos gastos que podem ser cortados ou adiados.

“Renegociar sem mudar hábitos costuma levar de volta ao mesmo lugar. Saber para onde o dinheiro está indo é o primeiro passo para estabelecer limites”, afirma Mateus Leite. Se possível, também vale reservar pequenas quantias para emergências e evitar recorrer novamente a linhas de crédito mais caras diante de imprevistos.

1. Não use todo o crédito disponível
O novo empréstimo pode chegar a 150% do saldo devedor, mas o especialista recomenda contratar somente o necessário para quitar a dívida anterior. “Crédito barato ainda é dívida. O fato de existir um limite disponível não significa que ele deva ser usado integralmente”, alerta. Aceitar dinheiro adicional para financiar novas compras pode eliminar a economia obtida com a renegociação e aumentar o risco de endividamento. Ao contratar a operação, o beneficiário concorda com o bloqueio do CPF, por seis meses, em plataformas de apostas de quota fixa, conforme a regulamentação do programa.

5. Calcule a parcela com base nos meses de menor renda
Para autônomos e trabalhadores informais, o cuidado deve ser maior, pois os rendimentos costumam variar ao longo do ano. A parcela precisa caber no orçamento inclusive nos meses de menor faturamento. Assumir o compromisso com base apenas nos períodos de renda mais alta pode dificultar o pagamento no futuro.

“Uma renegociação bem-feita reduz o peso da parcela e dá mais fôlego. O risco é usar esse alívio para aumentar o consumo e voltar a se endividar”, afirma Leite. Segundo o professor do CEUB, o benefício será mais duradouro quando a redução dos juros vier acompanhada de controle dos gastos. “É preciso trocar uma dívida cara por outra mais barata e ajustar as despesas à renda real”, conclui Mateus Leite.