Haddad diz que proposta de Plano Nacional de Desenvolvimento teve pouca adesão dentro do governo

Ministro da Fazenda afirma que tentou articular um planejamento estratégico de médio e longo prazo para o país no início do terceiro mandato de Lula, mas a iniciativa não avançou.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que tentou lançar, no início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um novo Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) voltado ao planejamento econômico de médio e longo prazo. Segundo ele, no entanto, a proposta acabou tendo “pouca aderência” dentro do próprio governo.

A declaração foi feita em entrevista ao jornalista Breno Altman, do Opera Mundi, concedida na última sexta-feira (13).

Durante a conversa, Haddad relatou que buscou apresentar uma estratégia capaz de orientar o desenvolvimento econômico do país de forma integrada entre diferentes áreas da administração federal. A ideia era estruturar um projeto nacional que ultrapassasse o horizonte imediato de governo.

“Eu vou te confidenciar aqui uma coisa. Eu tentei, no começo do governo, apresentar algo que pudesse ser um projeto nacional de desenvolvimento. E essa ideia teve pouca aderência dentro do governo”, afirmou o ministro.

Planejamento para além do ciclo eleitoral

De acordo com Haddad, a proposta previa a construção de um plano que estabelecesse metas estruturais para o país em diferentes horizontes de tempo, indo além do ciclo de quatro anos de um mandato presidencial.

Segundo ele, a intenção era discutir estratégias que contemplassem períodos mais longos, como 15 ou até 20 anos, permitindo maior previsibilidade e coordenação das políticas públicas.

“Houve um início de conversa sobre fazer um plano de desenvolvimento para o país de médio e longo prazo. Pensar quatro anos, pensar 15, pensar 20 anos para frente”, disse.

Integração entre áreas do governo

O ministro também destacou que o plano dependeria de uma articulação mais forte entre diferentes ministérios, com o objetivo de reduzir a fragmentação das ações governamentais.

Entre as pastas citadas por Haddad estão Minas e Energia, Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento e Meio Ambiente, que poderiam atuar de forma coordenada para construir um modelo de desenvolvimento mais integrado.

Segundo ele, a ideia era alinhar políticas públicas estratégicas e fortalecer a capacidade de planejamento do Estado.

Debate sobre modelo econômico

Durante a entrevista, Altman questionou se a formulação de um plano dessa natureza poderia representar uma transição para além do modelo econômico neoliberal.

Haddad respondeu que essa mudança estrutural não acabou se concretizando.

“Isso. E eu acho que essa transição não aconteceu”, afirmou.

Apesar disso, o ministro ponderou que o governo federal tem promovido avanços importantes na reconstrução institucional e econômica do país, após o período anterior.

“Eu acredito que havia espaço para pensar nisso. Mas não acho que nós fizemos pouco”, disse Haddad.