Rafael Fonteles entra no radar de Lula para a Fazenda, mas indicação divide aliados

Governador reeleito do Piauí ganhou projeção nacional ao atuar na coordenação da campanha presidencial. No PT, há preocupação de que o desgaste na condução da economia prejudique seus planos políticos futuros.

O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), passou a ser apontado como uma possibilidade para comandar o Ministério da Fazenda no próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A hipótese, porém, gera divergências entre aliados do partido, que veem no governador uma liderança em ascensão e temem que a exposição aos desafios da política econômica comprometa sua trajetória nacional.

Segundo reportagem do Valor Econômico, publicada nesta segunda-feira (26), integrantes do PT avaliam que Fonteles reúne condições políticas para ocupar um cargo de destaque no governo federal. Ao mesmo tempo, há receio de que decisões econômicas impopulares provoquem desgaste semelhante ao enfrentado por outros nomes que passaram pelo comando da pasta.

A projeção nacional do governador aumentou após sua participação na coordenação da campanha que garantiu a reeleição de Lula, no domingo (25). Durante a comemoração da vitória na Avenida Paulista, em São Paulo, o presidente mencionou publicamente Fonteles e o senador Camilo Santana (PT-CE), também integrante da equipe de coordenação. O reconhecimento alimentou especulações sobre o espaço que ambos poderão ocupar no próximo governo.

Fazenda é vista como desafio político

De acordo com o Valor Econômico, pessoas próximas ao governador afirmam que ele já demonstrava interesse em ampliar sua atuação na política nacional. Uma eventual mudança para Brasília poderia contar com a possibilidade de Washington Bandeira (PT), vice-governador eleito, assumir o comando do Executivo piauiense.

A principal preocupação dos aliados está relacionada aos desafios do Ministério da Fazenda. Responsável pela condução da política econômica, a pasta exige decisões sobre arrecadação, gastos públicos e equilíbrio fiscal que podem gerar controvérsias e insatisfação em diferentes setores da sociedade.

Nesse contexto, integrantes do PT apontam a experiência de Fernando Haddad como referência para o debate. O ex-ministro da Fazenda enfrentou dificuldades políticas durante sua passagem pelo governo federal e disputou o governo de São Paulo em 2026, em uma trajetória que, segundo interlocutores ouvidos pelo jornal, serve de alerta sobre os possíveis custos eleitorais de ocupar o cargo.

Fonteles afirma que não tratou do assunto com Lula

Apesar das especulações sobre seu futuro, Rafael Fonteles declarou, nesta segunda-feira (26), em entrevista à GloboNews, que nunca conversou com Lula sobre a possibilidade de assumir um ministério ou qualquer outra função no governo federal.

O governador também reafirmou a intenção de ser diplomado para exercer seu novo mandato no Piauí, sinalizando que, publicamente, mantém o compromisso com a continuidade da gestão estadual.

A definição sobre o comando da Fazenda dependerá das escolhas de Lula para a composição do próximo governo. Até o momento, a possibilidade de Fonteles ocupar o posto permanece no campo das especulações. Nos bastidores do PT, a discussão também envolve o espaço de novas lideranças na estrutura nacional do partido e a preparação de nomes para o futuro político da legenda.