Carlos Bolsonaro critica aliados de Tarcísio e acusa rompimento na direita

A disputa interna no campo da direita ganhou intensidade neste fim de semana após Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, publicar mensagens duras nas redes sociais contra aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. As críticas ocorreram após a divulgação de uma pesquisa Datafolha que mostrou Tarcísio em melhor posição eleitoral que Flávio Bolsonaro, pré-candidato apoiado pela família Bolsonaro.

O levantamento do Datafolha, divulgado pela Folha de S.Paulo, indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém vantagem consistente sobre os principais nomes da direita testados para a eleição de 2026. Em cenários de segundo turno, Lula aparece com 51% contra 36% de Flávio Bolsonaro — diferença maior que a registrada em julho. Já Tarcísio apresenta um desempenho melhor, com 47% contra 42%.

Ataques a “isentões” e acusações de traição

Carlos Bolsonaro reagiu ao resultado da pesquisa acusando figuras da direita de abandonarem a unidade do grupo. Em uma série de publicações, afirmou que alguns políticos que antes defendiam união agora estariam apoiando projetos paralelos por conveniência.

Segundo ele, esses atores estariam “revelando quem realmente são” e afirmou que novos episódios ainda viriam à tona, sugerindo que haveria mais conflitos internos a serem expostos.

“Sistema quer destruir o nome Bolsonaro”

O vereador também acusou setores políticos e antigos aliados de atuarem para enfraquecer a família Bolsonaro no cenário eleitoral. Em suas declarações, afirmou que “o sistema” estaria unido para impedir o avanço de qualquer candidatura ligada ao ex-presidente.

Carlos ainda criticou as pesquisas eleitorais, alegando que elas estariam sendo usadas para criar narrativas e influenciar o eleitorado ao favorecer determinados nomes.

Rejeição ao sobrenome Bolsonaro cresce; Tarcísio mantém estabilidade

A pesquisa Datafolha ouviu 2.002 pessoas em 113 municípios entre os dias 2 e 4 de setembro. O levantamento mostrou Lula à frente em todos os cenários testados e apontou que o sobrenome Bolsonaro se tornou um fator negativo entre os eleitores.

Flávio Bolsonaro tem rejeição de 38%, Eduardo 37% e Michelle 35%. Tarcísio de Freitas, por sua vez, aparece com 20% de rejeição — a menor taxa entre os nomes avaliados da direita. No primeiro turno, Lula registra 41% das intenções de voto, Flávio aparece com 18% e Tarcísio alcança 23% em um dos cenários.