De mulher para mulher: goianas transformam serviços voltados ao público feminino em negócios bem sucedidos
Empreendedorismo feminino impulsiona o setor de beleza e bem-estar em Goiás
O empreendedorismo feminino em Goiás vive um momento de consolidação e crescimento. Dados recentes do Sebrae Goiás apontam que o estado conta com aproximadamente 363,9 mil mulheres donas de negócio, o que representa 34,47% do total de empreendedores goianos. Na prática, mais de uma em cada três empresas em Goiás é liderada por uma mulher.
Esse protagonismo se reflete especialmente nos segmentos de serviços pessoais, como estética, cuidados com a pele, unhas e saúde íntima, áreas que, além de tradição, agora operam sob uma lógica de gestão estruturada, tecnologia e posicionamento estratégico.
O crescimento também é visível na formalização. Segundo dados da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg), 41% das novas empresas abertas em 2025 no estado têm mulheres no quadro societário. O número sinaliza uma presença cada vez mais consistente no ambiente empresarial formal, rompendo a barreira histórica da informalidade.
Em Goiânia, a atuação da NaBeauty representa essa nova fase da estética profissional. A rede nacional especializada em estética facial e bem-estar aposta em protocolos padronizados, tecnologia e acompanhamento contínuo.
À frente da unidade na capital, Karol Gama destaca que a mudança no perfil das consumidoras impulsionou o crescimento do setor. “Hoje, a cliente quer entender o protocolo, os ativos utilizados e os resultados a longo prazo. A estética passou a ser vista como investimento em saúde e qualidade de vida”, afirma.
A profissionalização acompanha uma tendência maior: consumidoras mais informadas e criteriosas, o que exige das empresárias estrutura técnica, gestão eficiente e planejamento financeiro.
No segmento de nail design, a Ruse Esmalteria Russa, liderada por Débora Menino, é exemplo de como técnica e posicionamento transformam um serviço tradicional em negócio estruturado.
Os serviços pessoais, como manicure e estética, figuram entre as principais atividades exercidas por mulheres empreendedoras em Goiás, segundo levantamento do Sebrae. Débora avalia que o diferencial está na constância e no processo.
“Por muito tempo, dor e sangramento eram considerados normais. Hoje, as clientes questionam. Elas querem técnica, saúde e segurança”, afirma. O modelo da esmalteria é baseado em fidelização, recorrência e construção de relacionamento, fatores que garantem previsibilidade financeira e sustentabilidade do negócio.
Saúde íntima feminina e quebra de tabus
O avanço também alcança áreas antes pouco debatidas, como a cirurgia íntima feminina. A médica Dra. Renata, especialista na área, observa aumento na procura por informações e procedimentos que envolvem conforto, funcionalidade e autoestima.
A ampliação do debate público e o acesso à informação têm contribuído para que mulheres enxerguem a saúde íntima como parte da qualidade de vida e não apenas como questão estética. O movimento reforça autonomia e decisão consciente, pilares do novo comportamento da consumidora.
Marca, posicionamento e construção de comunidade
É nesse contexto que se destaca a trajetória de Júlia Galvão, fundadora da Ambrô, criada em Goiânia e hoje com alcance nacional. A empresa nasceu a partir de um investimento inicial modesto, mas com uma estratégia bem definida desde o início: integrar produto, comunicação e construção de comunidade como pilares simultâneos de crescimento.
Mais do que comercializar peças de vestuário, a Ambrô estruturou sua marca a partir de identificação e pertencimento. O ambiente digital deixou de ser apenas um canal transacional para se tornar espaço de diálogo, escuta ativa e relacionamento contínuo com as consumidoras. Essa construção gradual e consistente permitiu a escalabilidade do negócio sem ruptura na proximidade com o público — um dos principais desafios das marcas que operam no e-commerce de moda.
Beleza como economia e desenvolvimento local
Em Goiás, a beleza deixou de ser apenas um serviço associado à vaidade. Tornou-se vetor da geração de renda, profissionalização e desenvolvimento econômico. De clínicas de estética a esmalterias técnicas, de consultórios especializados a marcas estruturadas, mulheres estão redesenhando o mercado com gestão, estratégia e visão de futuro.
No Mês da Mulher, os números confirmam o que as histórias já revelam: o empreendedorismo feminino em Goiás não é tendência passageira. É uma força econômica consolidada, construída de mulher para mulher e com impacto direto no crescimento do estado.