Pesquisa indica apoio de brasileiros ao impeachment de ministro do STF

Levantamento realizado pela AtlasIntel e divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo aponta que parcela significativa dos brasileiros se manifesta favorável ao impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, em meio às suspeitas relacionadas ao caso do Banco Master.

De acordo com a pesquisa, 49,3% dos entrevistados defendem o afastamento imediato do magistrado, enquanto 33,7% afirmam que a medida deveria ocorrer apenas após a comprovação de eventuais irregularidades. Somados, os números indicam que mais de 80% dos participantes consideram necessária algum tipo de responsabilização.

Percepção pública e desgaste institucional

O levantamento mostra ainda que 12,8% dos entrevistados são contrários ao impeachment, enquanto 4,1% não souberam ou preferiram não opinar. Os dados refletem um cenário de aumento das críticas à atuação do STF por parte da opinião pública.

Para o jurista e ex-desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, Walter Maierovitch, o resultado está ligado às denúncias recentes. Segundo ele, o debate público sobre a conduta de autoridades deve levar à apuração dos fatos.

As críticas ao ministro ganharam força após ele assumir a relatoria do inquérito que envolve o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, instituição que passou por liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central do Brasil em meio a suspeitas de irregularidades financeiras.

Questionamentos sobre decisões no inquérito

Durante a condução do caso, algumas decisões do ministro passaram a ser questionadas por investigadores e especialistas. Entre os pontos citados estão a determinação para manter materiais apreendidos sob custódia do STF, a realização de acareações em fase inicial da investigação, a escolha direta de peritos e a definição de prazos considerados curtos para análise de provas.

Segundo Maierovitch, esse conjunto de decisões contribuiu para ampliar o debate público e o questionamento sobre a condução do processo.

Novos elementos e ligações empresariais

Reportagens publicadas pelo Estado de S. Paulo também mencionam ligações empresariais envolvendo familiares do ministro em empreendimentos associados a estruturas investigadas no caso. Entre eles está o resort Tayayá, localizado no Paraná.

De acordo com as reportagens, irmãos de Toffoli teriam transferido participação no empreendimento para um fundo ligado à empresa Reag Investimentos, mencionada em apurações relacionadas ao caso. O negócio teria sido realizado por meio da empresa Maridt, da qual o próprio ministro posteriormente reconheceu participação.

O empreendimento também teria envolvido fundos associados ao empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, em uma operação estimada em cerca de R$ 6,6 milhões à época.

Além disso, um relatório da Polícia Federal, baseado em dados extraídos do celular de Vorcaro, apontou possíveis conexões entre o empresário e o ministro. Após a divulgação dessas informações, Toffoli deixou a relatoria do caso.

Repercussão no Congresso

O episódio também repercutiu no Congresso Nacional. Em fevereiro, senadores protocolaram pedidos de impeachment contra o ministro, somando ao menos dez solicitações apresentadas.

Paralelamente, a CPI do Crime Organizado aprovou medidas como a quebra de sigilos relacionados ao caso. Algumas dessas decisões, entretanto, foram posteriormente anuladas pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, o que gerou críticas entre parlamentares.

Nesta semana, novas deliberações da comissão, que incluíam outras quebras de sigilo envolvendo o fundo Arleen, também foram suspensas, ampliando o embate entre integrantes do Legislativo e do Judiciário.

Avaliação negativa

A pesquisa da AtlasIntel também mediu a avaliação da atuação de ministros do STF. No caso de Toffoli, apenas 9% dos entrevistados classificam sua atuação como positiva, enquanto 81% a avaliam de forma negativa.

O ministro Gilmar Mendes também aparece com índice elevado de rejeição: 67% de avaliação negativa, contra 20% positiva.

O levantamento ouviu 2.090 brasileiros entre os dias 16 e 19 de março de 2026, por meio de questionários online. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Os resultados indicam que o caso envolvendo o Banco Master tem ampliado o debate público sobre a responsabilização de autoridades e contribuído para um cenário de questionamentos sobre a credibilidade do Judiciário.