Goiânia avança com apresentação do Plano Municipal de Redução de Riscos

Encontro marca conclusão dos estudos sobre áreas de risco geológico e hidrológico e abre espaço para contribuições da população na construção do instrumento que orientará ações preventivas no município

A Prefeitura de Goiânia, em parceria com a Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades e o Serviço Geológico do Brasil (SGB), realizou nesta quarta-feira (11/2) uma audiência pública para apresentar o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR). O evento marcou a conclusão dos estudos técnicos que mapeiam as áreas de risco geológico e hidrológico da capital e abriu espaço para que a população contribua com sugestões na etapa final de elaboração do documento.

O coordenador da Defesa Civil Municipal, Robledo Mendonça, destacou que essa etapa consolida o trabalho técnico e amplia o diálogo com a população. “Essa é uma etapa que marca a entrega do plano. Vamos ouvir a comunidade, mostrar os trabalhos que foram desenvolvidos, dar oportunidade aos moradores de conhecer as informações levantadas e contribuir com suas visões. Assim construiremos um plano final que atenda a todos e traga mais segurança à cidade”, explicou.

Robledo lembrou que, em 2016, o Serviço Geológico do Brasil, junto à Defesa Civil da época, realizou o primeiro mapeamento das áreas de risco, mas o trabalho se restringia à identificação. “Esse plano se diferencia porque, além do mapeamento atualizado, apresenta sugestões de projetos de engenharia e o custo estimado de cada intervenção para mitigar os riscos. Não é apenas um documento, mas uma ferramenta prática de gestão para o município”, afirmou.

Moradoras do Jardim Mirabel participaram da audiência. Saara, de 44 anos, contou que decidiu participar para entender as ações previstas para seu bairro. “Quero saber o que vão fazer por nós, porque lá é área de risco. Quando chove, molha tudo dentro de casa”, contou. Rosemeire Aparecida Rodrigues, de 45 anos, reforçou que o problema é antigo. “Moro lá há 25 anos e há 25 anos temos esse problema. Agora esperamos resultados”, disse. Já Valéria Maria Gonçalves, de 50 anos, destacou a importância do documento para a cidade. “Todo ano tem alagamento e a gente veio para ser ouvida e pedir que olhem por nós”, afirmou.

De acordo com o assessor técnico da Secretaria Nacional de Periferias, Luiz Belino, a iniciativa prioriza o apoio aos municípios com mais de 100 mil habitantes que não dispõem de instrumentos atualizados de gestão de riscos. “O PMRR é uma ferramenta que integra informações técnicas e estratégicas, permitindo que o município se qualifique para concorrer a editais públicos e busque financiamento para obras e ações preventivas. Além disso, o plano oferece um diagnóstico detalhado e soluções técnicas para mitigação de riscos”, explicou.

O responsável pela Área de Prevenção de Desastres do SGB, Tiago Antonelli, ressaltou o trabalho conjunto com a Prefeitura de Goiânia e a importância do envolvimento local. “Os nossos geólogos percorreram todo o município, casa a casa, e classificaram os níveis de risco. O município foi nosso guia, indicando os pontos que mereciam mais atenção. A partir disso, propusemos intervenções estruturais e não estruturais, com o objetivo de garantir que as famílias possam permanecer com segurança em seus territórios”, afirmou.

Antonelli destacou ainda que o PMRR é um documento técnico completo e estratégico, que agora passa por ações de capacitação e divulgação. “Estamos promovendo cursos e audiências públicas para engajar o município e a população, de modo que o instrumento seja utilizado para melhorar, de fato, a vida das pessoas que vivem em áreas de risco”, concluiu.

Diagnóstico

O técnico Rodrigo Gallo, do Serviço Geológico do Brasil (SGB), apresentou os cenários de risco hídrico identificados em Goiânia e alertou para os impactos da ocupação irregular, da impermeabilização do solo e do assoreamento de córregos urbanos. Segundo ele, esses fatores contribuem para o aumento das inundações. “Ocupamos áreas inadequadas, impermeabilizamos o solo e deixamos de cuidar dos córregos. Esse conjunto cria um cenário propício para ocorrências de alagamentos”, observou.

Os dados levantados pelo SGB apontam 120 setores de risco em Goiânia, todos localizados na zona urbana. Desse total, 44 áreas foram classificadas como risco muito alto, 49 como risco alto e 27 como risco médio. “As inundações naturais estão se tornando mais frequentes e intensas, com chuvas concentradas de 70 a 90 milímetros em poucas horas”, detalhou Gallo.

Dentre as recomendações do plano estão o fortalecimento institucional da Defesa Civil Municipal, a implementação de planos de contingência, sistemas de alerta e evacuação, além do monitoramento contínuo das áreas críticas. O estudo também aponta sugestões de intervenção estrutural para estabilizar todas as áreas de risco alto e muito alto mapeadas no município.