Psicóloga analisa epidemia global da solidão declarada pela OMS

Danielle Vieira é autora de “Amor moderno: o nosso mundo evitativo”, livro que investiga como os afetos contemporâneos são marcados pelo isolamento e incerteza emocional

A Organização Mundial da Saúde (OMS) levantou um alerta global ao declarar a solidão como uma ameaça à saúde pública mundial. Os dados revelam que uma em cada seis pessoas no mundo se sentem solitárias, e esse sentimento atinge um índice preocupante de 21% entre jovens.

Os números apontam para uma contradição da era digital: vivemos no período mais conectado da história, mas nos sentimos cada vez mais sozinhos. Para a psicóloga e psicanalista Danielle Vieira, autora do livro Amor moderno: o nosso mundo evitativo, os dados da OMS conversam diretamente com a forma como passamos a nos relacionar no virtual.

Ela explica que o hábito diário de deslizar a tela nos aplicativos de namoro e redes sociais aciona descargas frequentes de dopamina no cérebro, gerando um ciclo de recompensa imediata que diminui a tolerância à frustração. Uma lógica de interação que abre espaço para o medo do compromisso, uso de defesas psicológicas, evitação do vínculo profundo e isolamento emocional.

“A epidemia da solidão não é apenas um sintoma de isolamento geográfico ou social, mas o resultado de uma cultura que nos ensina a contornar o ‘risco’ do afeto. As pessoas desejam a conexão, mas têm pavor do custo emocional que ela exige: a vulnerabilidade, a esperança, a aceitação de que o outro é imperfeito e a tolerância à frustração”, afirma Danielle.

Sobre a autora: Danielle Vieira é psicóloga e psicanalista. Atua há mais de dez anos na clínica, pesquisando as relações contemporâneas, os impasses do afeto e as formas de evitação emocional no mundo atual. Vive entre países, experiência que atravessa sua escrita e sua escuta clínica.

Instagram: @danielle_vieira