Economia circular, REDD+ e adaptação: os principais avanços do Fórum Goiano de Mudanças Climáticas em 2025
Balanço foi apresentado durante a 4ª Reunião Ordinária do Fórum, em Goiânia
Reduzir o desperdício de recursos como água, energia e matérias-primas, manter a vegetação nativa em pé e preparar o Estado para secas, chuvas intensas e outros eventos extremos. Esses três eixos, que recebem, respectivamente, os nomes de: economia circular, REDD+ e adaptação climática, concentraram as principais ações do Fórum Goiano de Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável em 2025. O balanço dessas iniciativas foi apresentado durante a 4ª Reunião Ordinária do Fórum, realizada nesta quinta-feira (12/02), na Assembleia Legislativa de Goiás, em Goiânia.
O relatório anual consolida o primeiro ciclo completo de funcionamento do Fórum após sua reativação em 2024 e reúne as ações realizadas em 2025, incluindo eventos técnicos, criação de grupos de trabalho, contribuições a políticas públicas e articulações com programas estaduais ligados à redução de emissões, conservação ambiental e adaptação às mudanças do clima.
O Fórum reúne governo, setor produtivo, universidades e organizações da sociedade civil para discutir e propor encaminhamentos ligados ao enfrentamento das mudanças do clima. Em 2025, o espaço consolidou seu funcionamento com três câmaras técnicas ativas (Mitigação, Adaptação e Transição Verde) e grupos de trabalho que se reuniram ao longo do ano para acompanhar programas estaduais, elaborar contribuições técnicas e organizar atividades.
Além da apresentação do balanço de 2025, a reunião realizada nesta quinta também foi marcada por decisões e encaminhamentos para a agenda do Fórum em 2026. Durante o encontro, foi apresentado o programa AdaptaCidades, iniciativa do governo federal voltada ao apoio técnico para que estados e municípios se preparem para os impactos das mudanças climáticas.
Também foram realizadas a eleição das coordenações das câmaras técnicas e a escolha de representantes de povos indígenas, comunidades quilombolas e cooperativas extrativistas. Os participantes iniciaram ainda a formulação do plano de ação anual do colegiado e abriram a consulta pública do projeto de lei que institui o Sistema Estadual de REDD+ em Goiás, voltado à redução de emissões por desmatamento e à conservação da vegetação nativa.
A gerente de mudanças climáticas e serviços ecossistêmicos da Semad, Natália Brito, explica que com a estrutura consolidada e as primeiras entregas registradas, a expectativa é que o Fórum avance para uma etapa de maior influência na formulação e acompanhamento de políticas públicas.
“O planejamento para 2026 inclui fortalecer o monitoramento das ações, ampliar a participação institucional e estruturar indicadores para medir o impacto das discussões na agenda climática estadual”, afirma.
Economia circular ganha espaço na agenda
Uma das agendas que avançaram de forma mais estruturada em 2025 foi a de economia circular, voltada à redução de resíduos e ao melhor aproveitamento de recursos como água, energia e matérias-primas. Em setembro do ano passado, o Fórum participou da organização do 1º Seminário Goiás Circular, realizado dentro do Congresso Goiano de Mudanças Climáticas e que reuniu representantes do poder público, empresas, universidades, cooperativas e organizações socioambientais.
Naquela ocasião, foi lançado o Pacto Goiano pela Economia Circular e Sustentabilidade, com adesão inicial de 18 instituições. O pacto funciona como um acordo de cooperação entre órgãos públicos, setor produtivo e entidades da sociedade civil para estimular ações de reaproveitamento de materiais, redução de resíduos e uso mais eficiente dos recursos naturais no Estado.
Ao longo de 2025, o grupo responsável pelo tema realizou reuniões técnicas, promoveu oficinas e iniciou o mapeamento de atores estratégicos ligados à agenda. Também começou a estruturar a governança do pacto, com definição de eixos de atuação e formas de acompanhamento das ações.
REDD+ e redução do desmatamento
Na área de mitigação das emissões, o Fórum acompanhou o andamento de políticas voltadas à redução do desmatamento e das queimadas. Um grupo de trabalho foi criado para monitorar a implementação do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento, Queimadas e Incêndios Florestais, com reuniões ao longo do ano e elaboração de contribuições técnicas.
O colegiado também acompanhou a estruturação do programa estadual de REDD+, mecanismo que permite a estados receber recursos quando conseguem reduzir o desmatamento e manter a vegetação nativa preservada. Além de monitorar o processo de regulamentação, o Fórum participou de oficinas, capacitações e debates técnicos com especialistas e instituições parceiras.
Outro marco do ano foi a realização de um seminário científico sobre restauração ecológica do Cerrado, que integrou a programação do Congresso Goiano de Mudanças Climáticas e reuniu pesquisadores e gestores públicos.
Preparação para adaptação climática
Na frente de adaptação, o trabalho de 2025 se concentrou na organização das bases técnicas para orientar políticas públicas. A Câmara Técnica de Adaptação promoveu reuniões de alinhamento, reuniu materiais metodológicos e iniciou a análise dos dados de vulnerabilidade climática do Estado, etapa considerada essencial para identificar riscos e orientar ações futuras.
O grupo também integrou discussões com programas estaduais e estruturou o plano de trabalho para a elaboração de um relatório sobre vulnerabilidades e riscos climáticos em Goiás, que deve orientar estratégias de resiliência nos próximos anos.