Ataque terrorista em Bondi Beach: pai e filho tinham seis armas legais apesar de leis rígidas na Austrália
Atiradores abriram fogo durante celebração judaica em Sydney; ao menos 15 pessoas morreram e outras 40 ficaram feridas
As autoridades australianas informaram que os dois responsáveis pelo ataque terrorista em Bondi Beach, em Sydney, eram pai e filho e possuíam ao menos seis armas de fogo legalmente registradas, mesmo diante das rigorosas leis de controle de armas em vigor no país.
O crime ocorreu na noite de domingo (14), durante o evento “Chanukah by the Sea”, que reunia cerca de mil pessoas para celebrar o feriado judaico de Hanukkah em uma das praias mais famosas da Austrália. Pelo menos 15 pessoas morreram e 40 ficaram feridas, incluindo crianças, um rabino e um sobrevivente do Holocausto.
Quem são os suspeitos
Segundo a polícia de Nova Gales do Sul, os atiradores foram identificados como Naveed Akram, de 24 anos, e seu pai, Sajid Akram, de 50 anos. Eles teriam utilizado espingardas e um rifle de ferrolho para atacar a multidão.
Sajid Akram morreu no local após troca de tiros com a polícia. Já o filho foi baleado, ficou gravemente ferido e permanece hospitalizado sob custódia policial, devendo responder criminalmente pelo ataque.
Armas eram legalizadas e registradas
De acordo com o comissário da polícia de Nova Gales do Sul, Mal Lanyon, o pai possuía licença válida para armas de fogo desde 2015, obtida com base em atividade de caça recreativa e participação em um clube de tiro.
“Ele cumpria os critérios exigidos pela legislação para portar armas de fogo. Todas estavam devidamente registradas”, afirmou Lanyon.
As autoridades ressaltaram que o sistema de licenciamento australiano prevê análise rigorosa para verificar se o solicitante é considerado “apto e adequado” para possuir armas.
Leis de armas sob questionamento após massacre
O ataque reacendeu o debate nacional sobre o acesso a armas, mesmo sob regras rígidas. A Austrália endureceu drasticamente sua legislação após o massacre de Port Arthur, em 1996, quando 35 pessoas foram mortas. Desde então, rifles semiautomáticos foram banidos e o país implementou controles rigorosos de registro, compra e posse.
Ainda assim, o episódio em Bondi Beach já é considerado o pior massacre a tiros na Austrália em quase 30 anos.
O premiê de Nova Gales do Sul, Chris Minns, afirmou que o governo avalia mudanças adicionais na legislação.
“Se você não é agricultor ou não atua diretamente no setor rural, por que precisa de armas tão potentes que colocam o público em risco?”, questionou.
Ataque durou cerca de 10 minutos
Testemunhas relataram que os disparos duraram cerca de 10 minutos, provocando pânico generalizado e correria na praia. Um vendedor ambulante, Ahmed Al-Ahmed, de 43 anos, foi apontado como herói após conseguir se aproximar de um dos atiradores, derrubá-lo e tomar sua arma.
Ele foi baleado duas vezes e passou por cirurgia, mas segue em recuperação, segundo familiares.
Investigação continua
A polícia australiana informou que ainda investiga o histórico e as motivações dos dois envolvidos, mas trata o caso como ato terrorista com motivação antissemita. Novas medidas de segurança foram reforçadas em locais públicos e eventos religiosos em todo o país.
Com informação New York Post