Influência da China cresce na América Latina enquanto Ocidente perde espaço, indica pesquisa

Levantamento em dez países aponta mudança de percepção sobre desenvolvimento e revela cenário político dividido na Argentina

A presença da China na América Latina vem ganhando força em termos de imagem e influência, enquanto Estados Unidos e países da Europa enfrentam perda de prestígio na região. É o que aponta um levantamento com cerca de 12 mil entrevistados em dez países latino-americanos, que identifica uma mudança na percepção sobre referências globais em áreas como desenvolvimento, tecnologia e educação.

No mesmo cenário regional, a pesquisa também traz um recorte específico sobre a política interna argentina. De acordo com o estudo da consultoria Zuban Córdoba, a maioria dos entrevistados no país não apoia a reeleição do presidente Javier Milei. Segundo os dados, 60,7% se posicionam contra um novo mandato, enquanto 29,4% são favoráveis, e 9,9% ainda não decidiram.

Entre os principais motivos apontados pelos que rejeitam a reeleição estão críticas à condução econômica, promessas não cumpridas, denúncias de corrupção e avaliação negativa da liderança. Já os apoiadores destacam fatores como confiança no presidente, rejeição a adversários políticos, percepção de políticas mais eficazes e benefícios individuais.

O levantamento também indica um ambiente político aberto a mudanças. Cerca de 48,2% dos entrevistados afirmaram que apoiariam uma aliança de oposição ao atual governo, enquanto 37,2% rejeitam essa possibilidade. Além disso, 46,4% disseram que votariam em um candidato de perfil mais moderado nas próximas eleições, previstas para 2027, contra 25,1% que descartam essa alternativa.

Os dados refletem tanto a reconfiguração das influências internacionais na América Latina quanto um cenário interno de incerteza política, especialmente na Argentina, onde o eleitorado demonstra divisão e busca por novas alternativas.