Suspeito de ataque terrorista em Bondi Beach estudou em centro islâmico na região de Sydney

Autoridades investigam histórico de Naveed Akram, apontado como um dos autores do atentado durante celebração de Hanukkah na Austrália

As investigações sobre o ataque terrorista ocorrido em Bondi Beach, na Austrália, avançaram com novas informações sobre o histórico de um dos suspeitos. Naveed Akram, de 24 anos, apontado pelas autoridades como um dos responsáveis pelo atentado durante uma celebração judaica de Hanukkah, teria estudado religião em um centro islâmico nos arredores de Sydney, segundo registros em redes sociais e informações divulgadas pela imprensa australiana.

Akram teria frequentado o Al-Murad Institute, onde, em 2022, foi citado em uma publicação — posteriormente apagada — elogiando seu desempenho no estudo do tajweed, conjunto de regras para a recitação correta do Alcorão. A postagem mostrava o jovem ao lado de um instrutor, exibindo um certificado de conclusão.


Centro islâmico apaga perfis após repercussão

Após a divulgação do envolvimento do ex-aluno no ataque, o Al-Murad Institute retirou do ar seu site e perfis em redes sociais. O responsável pela instituição, Adam Ismail, afirmou à imprensa local que perdeu contato com Akram ainda em 2022 e declarou estar profundamente abalado com os acontecimentos.

Segundo o Sydney Morning Herald, Ismail relatou ter recebido ameaças de morte após o atentado, o que o levou a deixar sua residência com a família. Ele afirmou não ter qualquer ligação com os atos cometidos e disse estar “devastado” pelas imagens das vítimas.


Investigação anterior não identificou ameaça iminente

De acordo com a emissora pública australiana ABC, Naveed Akram chegou a ser investigado em 2019 pela agência de inteligência do país, a ASIO, após possíveis associações com indivíduos monitorados. Na época, no entanto, não foi identificada ameaça concreta nem indícios de que ele estivesse envolvido em planos violentos.

O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, afirmou que a avaliação feita à época concluiu que não havia risco iminente.


Ataque é tratado como terrorismo pelas autoridades

Segundo fontes ligadas à investigação, Akram e seu pai, Sajid Akram, de 50 anos, teriam demonstrado adesão a ideologias extremistas. A polícia afirma que uma bandeira associada ao grupo Estado Islâmico (ISIS) foi encontrada no veículo usado pela dupla — informação que ainda é apurada oficialmente.

O ataque ocorreu durante o evento “Chanukah by the Sea”, que reunia cerca de mil pessoas em Bondi Beach. Pelo menos 15 pessoas morreram, com idades entre 10 e 87 anos, e cerca de 40 ficaram feridas. A maioria das vítimas seria da comunidade judaica.


Pai morreu no local; suspeito segue hospitalizado

Sajid Akram morreu durante confronto com a polícia no local do ataque. Já Naveed Akram foi gravemente ferido, socorrido e permanece hospitalizado sob custódia policial. As autoridades afirmam que ele deverá responder criminalmente por crimes relacionados ao atentado.

O episódio é considerado o ataque a tiros mais letal na Austrália desde o massacre de Port Arthur, em 1996, reacendendo debates sobre extremismo, segurança pública e prevenção à radicalização.