Trump amplia prazo para acordo com Irã e adia ataques a usinas de energia
Presidente dos Estados Unidos estende suspensão de ofensiva até 6 de abril,enquanto afirma que negociações prosseguem
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a extensão do prazo para que o Irã chegue a um acordo que encerre o conflito no Oriente Médio, adiando até 6 de abril possíveis ataques contra usinas de energia iranianas. A medida ocorre em meio a uma guerra que já dura quatro semanas e que tem provocado impactos significativos na economia global, especialmente com a alta dos preços de energia.
De acordo com a agência Reuters, Trump afirmou que as negociações estão avançando positivamente, embora autoridades iranianas tenham classificado a proposta dos Estados Unidos como “injusta” e negado a existência de conversas diretas com Washington.
Durante reunião de gabinete na Casa Branca, Trump ameaçou intensificar a pressão caso não haja acordo. Em seguida, anunciou nas redes sociais a suspensão dos ataques por um período de 10 dias. Em publicação no Truth Social, o presidente declarou: “As negociações estão em andamento e, apesar das declarações errôneas em contrário feitas pela mídia de notícias falsas e outros, estão indo muito bem”.
A guerra teve início em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã após o fracasso das negociações sobre o programa nuclear iraniano. Desde então, milhares de pessoas morreram, e a instabilidade se espalhou pela região.
Apesar da avaliação otimista de Trump, o Irã negou estar negociando com os EUA e manteve uma postura firme. Segundo fontes iranianas ouvidas pela Reuters, uma proposta americana de 15 pontos foi analisada por autoridades de alto escalão e considerada favorável apenas aos interesses dos Estados Unidos e de Israel.
Entre as exigências estariam o desmantelamento do programa nuclear iraniano, restrições a mísseis e concessões sobre o controle do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo. Teerã, por sua vez, passou a exigir garantias contra novas ações militares, compensações por perdas e controle formal da passagem estratégica.
O conflito também tem provocado forte instabilidade econômica. O preço do petróleo subiu cerca de 40%, enquanto o gás natural liquefeito e fertilizantes tiveram aumentos expressivos. Índices acionários globais recuaram, com o Nasdaq entrando em território de correção e o petróleo Brent ultrapassando US$ 105 por barril.
No campo militar, o Irã intensificou ataques contra Israel e bases dos EUA, além de atingir países do Golfo e bloquear exportações de combustível pelo Estreito de Ormuz. Em resposta, Washington passou a utilizar embarcações não tripuladas para patrulhamento, confirmando pela primeira vez o uso desse tipo de tecnologia em um conflito ativo.
Trump afirmou que os Estados Unidos podem se tornar o “pior pesadelo” do Irã caso o país não aceite as exigências americanas, incluindo a reabertura do estreito e o fim do programa nuclear. Ele também mencionou a possibilidade de assumir o controle do petróleo iraniano, sem fornecer detalhes.
Enquanto isso, mediadores internacionais tentam manter canais diplomáticos abertos. O ministro das Relações Exteriores do Paquistão afirmou que há “conversas indiretas” entre Washington e Teerã, com apoio de países como Turquia e Egito.
No terreno, os combates continuam intensos. O Irã lançou mísseis contra cidades israelenses como Tel Aviv e Haifa, enquanto Israel relatou vítimas e danos em áreas residenciais. Em território iraniano, ataques atingiram cidades como Bandar Abbas, Shiraz e Isfahan, além de Qom, onde pelo menos seis pessoas morreram após bombardeios que destruíram edifícios residenciais.
A escalada do conflito e a ameaça de ataques a infraestruturas energéticas civis ampliam o risco de novos choques nos mercados globais e aumentam a preocupação com o impacto sobre milhões de pessoas que dependem desses recursos para eletricidade e abastecimento de água. www.brasil247.com