Trump reduz pressão por acordo com Irã e fala em ‘negociação parcial’

Presidente dos EUA sinaliza redução das tensões militares, mas indica que poderá ampliar sanções econômicas contra Teerã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo (9) que seu governo reduziu os esforços para alcançar um acordo amplo com o Irã e, neste momento, mantém apenas uma negociação parcial com Teerã. A estratégia, segundo ele, é acompanhar a situação iraniana enquanto a pressão econômica sobre o país aumenta.

“Estamos apenas negociando parcialmente com eles. Estamos apenas observando o Irã, com sua enorme inflação e o fato de que eles não têm dinheiro”, declarou Trump ao site Axios.

O presidente norte-americano avaliou que o Irã atravessa uma situação econômica “muito ruim” e sinalizou disposição para intensificar a pressão por meio de sanções. Apesar do endurecimento no campo econômico, não apresentou novas ameaças de ação militar.

No fim da semana passada, Trump havia afirmado que cancelou um grande ataque contra o Irã diante da possibilidade de um acordo de paz que permitiria a reabertura do Estreito de Ormuz e trataria do programa nuclear iraniano. Segundo autoridades norte-americanas ouvidas pelo Axios, o presidente chegou a considerar a retomada de uma ofensiva de maior escala, mas passou a demonstrar preferência pela redução das tensões.

Negociações sobre o Estreito de Ormuz

Na última quarta-feira (5), o Ministério das Relações Exteriores do Irã informou que Teerã e Omã chegaram a um entendimento sobre aspectos geográficos de uma rota para a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz.

Os dois países negociam há algumas semanas a definição de uma nova rota de navegação com o objetivo de garantir maior segurança ao tráfego marítimo na região, estratégica para o transporte internacional de petróleo e outras mercadorias.

Em junho, Irã e Estados Unidos assinaram um memorando de entendimento prevendo o encerramento da guerra em diferentes frentes, incluindo o Líbano. Pelo planejamento inicial, os dois lados teriam 60 dias de negociações para buscar um acordo definitivo. A recente escalada dos confrontos, porém, aumentou as incertezas sobre o futuro do processo diplomático.

Em julho, as Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram sucessivas ondas de ataques contra alvos iranianos. Washington afirmou que as operações respondiam a ofensivas do Irã contra embarcações no Estreito de Ormuz e buscavam reduzir a capacidade iraniana de ameaçar o transporte marítimo comercial.

O Irã reagiu com ataques de mísseis e drones contra bases e instalações militares norte-americanas na região.