DEZEMBRITE: O QUE NINGUÉM FALA (mas precisava)
Por uma lupa inspirada nas observações da psiquiatra Dra. Maria Fernanda Caliani
Ninguém conta, mas a dezembrite não é só aquele corre-corre que vira meme nas redes sociais. Segundo análises clínicas e comportamentais frequentemente apontadas pela Dra. Maria Fernanda Caliani, dezembro não é apenas o mês do fechamento de ciclo: é o mês em que todos os ciclos que deixamos abertos durante o ano resolvem cobrar boleto emocional de uma vez só.
Dezembro tem essa mania irritante de puxar o fio da nossa autocobrança. É quando a agenda tenta ser protagonista, mas quem rouba a cena mesmo é o acúmulo: de expectativas, de frustrações engavetadas, de metas que ficaram olhando para você do caderno como quem diz “e aí, nada?”.
E o que ninguém fala?
Que muitas vezes a dezembrite não nasce da correria, mas daquilo que ficou quieto demais.
De acordo com reflexões da Dra. Caliani, o cérebro não lida bem com pendências emocionais invisíveis. Então, quando chega dezembro, essa vitrine social de “como foi seu ano?, ele tenta, desesperadamente, organizar o que ficou mal resolvido: relações, escolhas, promessas internas.
Aí vem o combo: irritação, cansaço, esquecimento, urgência por fazer tudo, sensação de estar atrasado… mesmo quando não estamos.
A dezembrite é quase um desarranjo emocional sazonal que ninguém assume. É o burnout festivo.
É o “vou fazer tudo antes do dia 31” encontrando o “não tenho energia nem pra fazer a lista”.
Mas existe algo que quase nunca vira pauta e que a visão clínica da Dra. Maria Fernanda Caliani reforça: “a dezembrite não é frescura; é um pedido de pausa mascarado de intensidade”.
É o corpo dizendo:
“Antes de finalizar o ano, finalize a si mesmo com gentileza.”
É a mente pedindo: “Diminua o volume da cobrança para aumentar a clareza daquilo que importa.”
Talvez o que ninguém fala sobre a dezembrite é que ela não precisa ser combatida. Precisa ser ouvida. Porque no fundo, dezembro não quer que você dê conta. Quer que você dê sentido.