De olho no segundo turno, campanha de Lula busca aproximação com Augusto Cury
Articulação tenta evitar eventual apoio do escritor a Flávio Bolsonaro e ampliar diálogo com parcela do eleitorado que hoje demonstra maior resistência ao presidente
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca abrir um canal de diálogo com Augusto Cury (Avante) diante da possibilidade de um segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). A movimentação tem como objetivo evitar uma eventual aproximação do escritor com o candidato do PL e, ao mesmo tempo, tentar conquistar parte de seus eleitores.
A informação foi publicada pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo. Segundo a apuração, integrantes da campanha de Lula avaliam que, no cenário atual, há uma tendência de maior migração dos votos de Cury para Flávio Bolsonaro caso os dois principais adversários avancem para a etapa final da eleição presidencial.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (3) ajuda a explicar a preocupação. Em uma eventual disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, 42% dos eleitores que hoje declaram voto em Augusto Cury afirmaram que escolheriam o candidato do PL, enquanto 30% disseram que votariam no atual presidente.
Campanha também mira eleitorado de Cury
A estratégia em discussão vai além de uma eventual interlocução direta com o escritor. A equipe de Lula também procura entender como dialogar com o perfil de eleitor atraído por conteúdos motivacionais, discursos de desenvolvimento pessoal, autoajuda e figuras ligadas ao universo dos coaches.
A avaliação é de que esse segmento nem sempre responde aos formatos tradicionais de comunicação política e exige uma abordagem diferente daquela utilizada para alcançar o eleitorado historicamente identificado com partidos e movimentos políticos.
Nesse contexto, uma aproximação com Cury poderia cumprir dois objetivos: dificultar uma eventual transferência mais ampla de seus votos para Flávio Bolsonaro e criar uma porta de entrada para Lula em um segmento no qual enfrenta maior resistência.
A movimentação ocorre em um momento em que as campanhas começam a olhar não apenas para o desempenho no primeiro turno, mas também para a capacidade de agregar apoios e conquistar os eleitores dos candidatos que eventualmente ficarão fora da disputa final.
Por enquanto, não há uma estratégia definida para estabelecer essa ponte, nem indicação de que Augusto Cury tenha decidido apoiar Lula, Flávio Bolsonaro ou qualquer outro candidato em um eventual segundo turno.
A articulação da campanha governista é, portanto, preventiva e reflete uma preocupação crescente com a disputa pelos votos de Cury caso a eleição presidencial seja decidida em dois turnos.