Desfile na Sapucaí coincide com recuo de Lula em pesquisa AtlasIntel
Levantamento realizado pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg indica oscilação negativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o Carnaval. Pela primeira vez, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece numericamente à frente do petista em um cenário de segundo turno, dentro da margem de empate técnico.
Segundo a pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada na quarta-feira (25), Flávio Bolsonaro registra 46,3% das intenções de voto no segundo turno, contra 46,2% de Lula — diferença de 0,1 ponto percentual. No primeiro turno, o presidente recuou de 48,8% para 45%, enquanto o senador avançou de 35% para 37,9%. A vantagem que era de 13,8 pontos percentuais em janeiro caiu para 7,1 pontos.
Queda na imagem pessoal
De acordo com a análise publicada pelo jornal Valor Econômico, a oscilação estaria relacionada mais à percepção sobre Lula como figura política do que à avaliação do governo. A soma das avaliações “ruim” ou “péssimo” da administração variou de 48,5% para 48,4%, mantendo-se estável. Já a desaprovação pessoal ao presidente subiu de 50,7% para 51,5%.
Fevereiro é tradicionalmente um mês de menor intensidade política, com o Carnaval dominando o noticiário. Nesse cenário, o desfile da escola Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula em seu enredo na Marquês de Sapucaí, ganhou ampla repercussão. A análise aponta que o episódio pode ter contribuído para a mudança na percepção de parte do eleitorado.
Polarização em evidência
O conteúdo político da apresentação também teria ampliado o impacto. Além de exaltar a trajetória de Lula, o desfile incluiu críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, apontado como principal articulador da candidatura do filho. O gesto reacendeu a polarização entre lulismo e bolsonarismo.
Entre os momentos que geraram debate esteve uma ala com figurantes caracterizados como latas de alimentos, em referência interpretada por setores como ironia ao discurso da “família conservadora”, associado ao eleitorado bolsonarista. Para analistas, o episódio mobilizou segmentos já alinhados à oposição.
Metodologia e ressalvas
A AtlasIntel utiliza recrutamento digital randomizado, com painéis on-line ponderados conforme o perfil da população brasileira — metodologia comum na Europa e nos Estados Unidos. O modelo costuma apresentar bom desempenho em previsões eleitorais, mas tem limitações.
Nesta rodada, apenas 0,5% dos entrevistados se declararam indecisos, índice considerado baixo para um cenário ainda distante da eleição. Além disso, grupos com menor acesso à internet — como pessoas mais idosas, de baixa renda ou residentes em pequenas cidades — podem estar sub-representados.
Sinal de alerta
Embora o levantamento não seja determinante para o cenário de 2026, a análise do Valor Econômico aponta que o episódio da Sapucaí pode ter tido efeito concreto sobre a imagem do presidente. Especialistas lembram que processos eleitorais costumam ser influenciados pela soma de pequenos eventos que, acumulados, impactam a percepção do eleitorado.
Assim, a oscilação registrada não define o resultado futuro, mas evidencia como movimentos simbólicos, em um ambiente de forte polarização, podem produzir efeitos imediatos na corrida presidencial.