Haddad articula vice do agro para ampliar força no interior paulista

Petista tenta reduzir vantagem de Tarcísio fora da capital e expandir base eleitoral no estado

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), iniciou negociações para compor sua chapa ao governo de São Paulo com um candidato a vice ligado ao agronegócio. A movimentação busca fortalecer sua presença no interior paulista, onde teve desempenho inferior nas eleições de 2022.

A estratégia, revelada pela Folha de S.Paulo, atende a uma avaliação interna do partido de que é preciso avançar fora da região metropolitana. Na última disputa, Haddad venceu na capital e arredores, mas foi amplamente superado no interior por Tarcísio de Freitas (Republicanos), que conquistou 7,9 milhões de votos contra 4,7 milhões do petista nessa região. No total, Tarcísio venceu o pleito com 55% dos votos, ante 45%.

Apesar da derrota, o resultado foi considerado o melhor do PT no estado e teve peso na vitória presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, reforçando a importância estratégica de São Paulo no cenário nacional.

Aposta em aliança ampliada

A ideia é repetir, no âmbito estadual, a fórmula adotada em 2022, quando Lula formou chapa com Geraldo Alckmin (PSB), ampliando seu alcance eleitoral. Nesse contexto, aliados defendem um nome com trânsito no setor agropecuário, semelhante ao perfil do ex-ministro Roberto Rodrigues.

Dificuldades e alternativas

Diante da resistência no setor, interlocutores também cogitam o nome do ex-governador Rodrigo Garcia, atualmente sem filiação partidária. No entanto, a proximidade dele com Tarcísio — a quem apoiou no segundo turno de 2022, ao lado de Jair Bolsonaro (PL) — é vista como obstáculo para uma eventual aliança.

Enquanto isso, o presidente Lula trabalha para montar uma chapa ampla em São Paulo. A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), já indicou que pretende disputar uma vaga no Senado, possivelmente por outra legenda.

Já a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), surge como alternativa tanto para o Senado quanto para a vice. Nesse caso, porém, a resistência de setores do agronegócio à chapa tende a crescer, devido a críticas recorrentes à atuação da ministra.

Outras movimentações

O ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), também busca espaço em uma candidatura majoritária no estado, mas ainda não há definição. Ele deve tratar do tema diretamente com Lula nos próximos dias.

Pelo calendário eleitoral, os partidos têm até 5 de agosto para oficializar candidaturas nas convenções. Já a janela para mudança de partido se encerra em 3 de abril. O primeiro turno das eleições está previsto para 4 de outubro.