Racha no PL de Goiás expõe disputa interna por espaço em 2026

A crise no PL de Goiás chegou a um dos momentos mais tensos. Durante entrevista no programa Papo Aberto, da TV Capital, na última segunda-feira (19), lideranças da sigla partiram para ataques públicos contra o vereador e ex-deputado federal Vitor Hugo.

Participaram da entrevista o senador Wilder Morais, o deputado federal Gustavo Gayer e o vereador de Goiânia Oséias Varão, que não pouparam críticas ao colega de partido. Gayer foi o mais incisivo, chamando Vitor Hugo de “covarde”, acusando-o de ser um “câncer dentro do partido” e de “sabotar os planos do PL” para as eleições de 2026.

Wilder seguiu na mesma linha, afirmando que Vitor Hugo “não faz parte do grupo” e o comparou a um “catitu fora do bando”, expressão regional usada para se referir a quem anda sozinho.

Disputa por espaço político

O centro da crise é a disputa pela indicação ao Senado em 2026. Vitor Hugo articula uma aproximação com o vice-governador Daniel Vilela (MDB) e com o ex-presidente Jair Bolsonaro, em uma possível composição que pode incluir seu nome na chapa majoritária. O movimento desagrada Wilder e Gayer, que comandam o PL no estado e enxergam a articulação como tentativa de enfraquecê-los internamente.

O embate não é recente, mas ganhou força após Vitor Hugo intermediar encontros entre Bolsonaro e Daniel Vilela, gesto que acirrou ainda mais os ânimos no partido.

Bolsonaro tenta acalmar o partido

Informações de bastidores apontam que o próprio Jair Bolsonaro entrou em contato com Vitor Hugo e Gayer na tentativa de esfriar o conflito. No entanto, o desgaste já preocupa lideranças do partido, especialmente prefeitos e pré-candidatos que temem que o racha prejudique a legenda nas eleições municipais de 2024 e nos projetos para 2026.

Enquanto o conflito interno se mantém, a avaliação é que o PL de Goiás vive um momento de instabilidade, sem consenso e dividido sobre qual caminho seguir no cenário político estadual.