Dia Mundial da Saúde Mental reforça importância da escuta e do acolhimento qualificados

Especialista alerta para intensidade do sofrimento psíquico e defende união entre sociedade, serviços de saúde e poder público

O Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado neste sábado, 10 de outubro, é uma oportunidade para ampliar a discussão sobre sofrimento psíquico, acolhimento e acesso ao cuidado. Para o psicólogo e analista junguiano Jorge Antônio Monteiro de Lima, datas como essa funcionam como importantes marcadores sociais para trazer à discussão questões que muitas vezes permanecem invisíveis.

“A gente tem que falar de saúde mental, porque o sofrimento está muito intenso na sociedade”, afirma.
Segundo Jorge, a dimensão das demandas relacionadas à saúde mental exige atenção não apenas dos serviços especializados, mas também da sociedade e do poder público.
“Se a sociedade não estiver atenta ao que está acontecendo, inclusive no cenário de políticas públicas, você vai trabalhando no silêncio com uma coisa que é gritante”, observa.

Escuta também é parte do cuidado
Outro ponto destacado pelo especialista é a importância da escuta e do acolhimento qualificados. Para ele, não basta simplesmente ouvir: é necessário preparo para compreender e acolher pessoas que estejam passando por situações de sofrimento psicológico, especialmente nos casos mais graves.

“Escuta e acolhimento qualificados, porque também não é escutar ou acolher de qualquer jeito”,
explica.
Jorge destaca ainda que a capacidade de ouvir e acolher pode influenciar o início e a continuidade do acompanhamento psicológico.
“Saber escutar, saber acolher faz toda a diferença, inclusive no início de um tratamento, para que a pessoa possa aderir ao tratamento, se cuidar, dar sequência no tratamento.”
Saúde mental exige união de esforços

Para o psicólogo, o enfrentamento das demandas de saúde mental também depende da articulação entre diferentes setores. Ele cita experiências de parceria entre instituições e órgãos públicos e defende a união de esforços para ampliar o atendimento à população e qualificar os profissionais.
“Não adianta você falar de uma estrutura de governo que vai atender sozinha a saúde mental”, afirma.
Segundo Jorge, a articulação pode contribuir para ampliar o número de pessoas atendidas e também oferecer suporte aos profissionais que, muitas vezes, trabalham sob pressão e sobrecarga.
“É muito importante a gente fazer toda essa junção de forças para poder combater essa epidemia que está aí”, afirma.