Acolhimento humanizado ajuda gestante com síndrome do jaleco branco a enfrentar medo do parto
Experiência de Elaine Felizardo Pinheiro, de 40 anos, mostra como informação, vínculo e acolhimento podem transformar a relação da paciente com o ambiente hospitalar
Aos 40 anos, a supervisora de atendimento Elaine Felizardo Pinheiro chegou à reta final da gestação com medo de enfrentar uma crise de ansiedade durante o parto. Diagnosticada com síndrome do jaleco branco, ela encontrou no acolhimento da equipe do Hospital América, da Hapvida, em Goiânia, segurança para vivenciar o nascimento de sua filha. “Eu cheguei tensa ao hospital, mas depois do primeiro acolhimento, a tensão foi diminuindo à medida que a confiança aumentava. A partir daquele momento eu tive certeza de que estava no lugar certo”, relata, ao lembrar da visita guiada que fez antes da internação.
Segundo Elaine, conhecer a equipe e receber informações sobre as possibilidades de parto, incluindo a indução do parto natural e os riscos da cesárea, ajudou a reduzir a insegurança. “Durante a internação, o vínculo construído fez muita diferença. A obstetra Larissa Garcia foi até meu quarto, lembrou-se do meu histórico, me abraçou e permaneceu ao meu lado. “Elas tiveram muito carinho e paciência comigo”, conta.
O cuidado se manteve durante o trabalho de parto. A enfermeira Ana Maria acompanhou Elaine durante as dores e reforçou que permaneceria ao seu lado. “Eu não vou sair do seu lado. Eu não vou soltar essa mão”, lembrou a paciente. Ela conseguiu realizar o parto natural e descreveu o nascimento da filha, Leonora, como um momento de celebração entre toda a equipe. “Quando ela nasceu, todos vibraram comigo e com meu esposo, eles viveram o parto comigo”, completa.
Para o médico e diretor do Hospital América, Wesley Medeiros, a síndrome do jaleco branco é uma condição benigna, mas pode causar desconforto e elevação passageira da pressão. “Quando o paciente é bem orientado, acolhido e se sente seguro nas condutas da equipe, o transtorno é bem mitigado e logo os níveis de pressão arterial normalizam”, explica.
A psicóloga da Hapvida, Karina Siqueira, explica que o medo pode estar associado às experiências e sentimentos negativos relacionados ao atendimento de saúde. “Quando a gente traz esse atendimento médico e hospitalar de um modo acolhedor, receptivo e saudável, a pessoa consegue se sentir bem naquele espaço”, afirma.
Para Elaine, esse cuidado mudou sua percepção sobre hospitais e profissionais. “O acompanhamento que eu tive me fez ter uma outra visão de enfermeiro, de médico”, conclui.