Acompanhamento médico foi fundamental para gravidez de alto risco após cinco perdas gestacionais
História de Joana Stefane, mãe de gêmeas prematuras, reforça a importância dos cuidados antes e durante a gestação; especialista da Hapvida explica os principais pontos de atenção
Aos 36 anos, Joana Stefane Domingos realizou o sonho de ser mãe após uma trajetória marcada por cinco perdas gestacionais e duas gravidezes ectópicas. A gestação de suas filhas gêmeas, Manuela e Melinda, exigiu acompanhamento especializado diante de complicações que colocaram em risco a saúde da mãe e das bebês. Nascidas prematuramente, as meninas precisaram de cuidados intensivos após o parto. A experiência reforça a importância do acompanhamento médico antes e durante a gravidez, especialmente em situações que exigem atenção redobrada.
“O ideal é fazer uma consulta pré-concepcional antes de a paciente engravidar, para tratar e controlar as comorbidades e chegar à gestação com tudo mais ajustado”, orienta a ginecologista e obstetra Caroline Matias, especialista em pré-natal de alto risco da Hapvida. A avaliação permite identificar condições como hipertensão e diabetes, revisar medicamentos e, quando necessário, envolver profissionais de outras especialidades. A recomendação é especialmente importante para mulheres com doenças preexistentes ou histórico de perdas gestacionais. Embora o planejamento não elimine todos os riscos, ele ajuda a preparar a mulher e a equipe médica para lidar com possíveis complicações.
A história de Joana mostra como a trajetória clínica anterior à gravidez também é relevante para a assistência. Durante três anos, ela realizou acompanhamento com o ginecologista e obstetra Diego Fraga, especialista em reprodução humana assistida. Nesse período, enfrentou duas gravidezes ectópicas, quando o embrião se desenvolve fora do útero. Na primeira ocorrência, a gestação foi identificada na trompa esquerda e tratada com metotrexato.
Na segunda, Joana engravidou naturalmente de gêmeos, mas perdeu o embrião que estava no útero. Mesmo após o beta-hCG chegar a zero, ela voltou a apresentar sintomas e descobriu que o outro embrião continuava se desenvolvendo na trompa direita. A ruptura provocou uma emergência médica que exigiu cirurgia e a retirada da trompa. Aquela foi a quinta perda gestacional. Após a retirada das duas trompas, Joana recorreu à fertilização in vitro, realizada de forma particular, e conseguiu engravidar de Manuela e Melinda.
A confirmação da gravidez, no entanto, marcou o início de uma nova etapa de cuidados. Durante a gestação, Joana desenvolveu hipertensão arterial, identificada antes da 20ª semana, e precisou de acompanhamento rigoroso. A condição exigiu atenção especial à evolução clínica da mãe e ao desenvolvimento das bebês, com avaliações frequentes para identificar possíveis alterações e orientar as condutas médicas.
Com o avanço da gravidez, exames identificaram restrição seletiva de crescimento de uma das meninas por volta da 19ª semana. A partir desse momento, o acompanhamento passou a incluir ultrassonografias semanais e preparação para a possibilidade de parto prematuro. “Não fomos surpreendidos, pois nos preparamos desde a 19ª semana, quando o ultrassom mostrou que havia chances de elas nascerem prematuras”, explica Caroline Matias.
Joana também recebeu medicação para favorecer a maturação pulmonar das bebês e foi orientada sobre a possibilidade de internação neonatal. Por volta de 30 semanas de gestação, a pressão arterial chegou a 180 por 120, e a piora clínica tornou necessário antecipar o parto para preservar a saúde da mãe e das filhas. O caso exigiu decisões médicas diante da evolução do quadro, reforçando a importância do monitoramento contínuo em gestações de alto risco.
Manuela e Melinda nasceram prematuras e foram encaminhadas à UTI neonatal. Manuela permaneceu internada por 67 dias, período em que precisou de cuidados para o desenvolvimento e o ganho de peso. Para Joana, a atuação conjunta dos profissionais e a comunicação ao longo do acompanhamento foram fundamentais para compreender cada etapa do processo e enfrentar as incertezas.
“Se não fosse o trabalho em equipe de todo mundo junto, tenho certeza de que uma de nós três não estaria aqui hoje”, relata.
A experiência também evidencia que o planejamento antes da gravidez não garante uma gestação sem complicações. A consulta pré-concepcional ajuda a identificar fatores de risco e a organizar os cuidados, enquanto o pré-natal permite acompanhar a saúde materna e o desenvolvimento fetal, além de orientar decisões diante de alterações clínicas. A avaliação individualizada e a atuação integrada dos profissionais são especialmente importantes quando surgem situações que exigem intervenções rápidas.
Depois de anos marcados por perdas gestacionais e desafios médicos, Joana hoje vive a maternidade ao lado das filhas. “Nós fomos preparadas para passar por todas as etapas. Isso me deu segurança clínica e consciência ativa para lutar pela vida das minhas filhas. Hoje, eu sou a pessoa mais feliz do mundo”, conta.