Banco de Olhos do Cerof UFG retoma captação de córneas em Goiás

Avanço pode impactar no aumento de transplantes e na redução das filas de espera no Estado, que hoje chega a 1.847 pacientes

Em um avanço significativo para a saúde pública estadual, o Banco de Olhos do Centro de Referência em Oftalmologia da Universidade Federal de Goiás (Cerof UFG) retomou, em 2026, as atividades de captação de córneas para o Estado. O retorno do serviço é resultado de um convênio firmado com a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) e do trabalho integrado com a Central Estadual de Transplantes (CET GO). Esta parceria é um marco para a saúde ocular no Sistema Único de Saúde (SUS), pois, além de fortalecer a assistência direta à população, promove o desenvolvimento de pesquisas e o ensino especializado na rede federal.

A iniciativa, segundo a diretora do Cerof UFG, Katiane Martins, deve resultar na transformação do atual cenário dos transplantes em Goiás, que hoje tem 1.847 pessoas aguardando por uma córnea, enfrentando um tempo médio de espera de até um ano e nove meses. O Cerof UFG, que já é uma unidade de referência no SUS e realizou mais de 90 transplantes apenas em 2025, projeta que a reativação do banco permitirá um aumento significativo no número de procedimentos por todo o Estado. Com equipes capacitadas atuando 24 horas e em regime de busca ativa nos hospitais, espera-se elevar os índices de consentimento familiar e agilizar o atendimento aos pacientes da fila única estadual.

O histórico do serviço remonta a 2006, quando o Banco de Olhos do Cerof UFG iniciou suas atividades, mas o atendimento precisou ser interrompido em 2019 devido à pandemia, segundo a diretora. Após o período de suspensão, a retomada oficial foi celebrada com as primeiras captações realizadas no dia 4 de fevereiro de 2026, no Hospital Estadual de Anápolis Doutor Henrique Santillo (Heana). Atualmente, o banco conta com equipes em Goiânia e Anápolis, preparadas para realizar desde a abordagem familiar até o processamento, armazenamento e oferta à CET GO dos tecidos com segurança, qualidade e ética.

A importância de ser doador e como proceder

A doação de órgãos e tecidos é um ato que gera impactos incalculáveis para quem recebe, permitindo a recuperação da visão, a depender do diagnóstico e quadro clínico, e da qualidade de vida desses pacientes. Para ser um doador de córnea, a regra fundamental é comunicar a decisão à família, pois a captação só pode ser realizada mediante a autorização dos parentes após o falecimento. Qualquer pessoa entre 2 e 80 anos pode ser doadora de córnea, independentemente de a causa da morte ter sido parada cardiorrespiratória ou morte encefálica. O diálogo prévio com os familiares continua sendo o maior desafio para elevar os índices de transplantes no Estado.