Dia Mundial da Saúde Bucal é alerta para relação entre doenças gengivais e diabetes
Problemas na boca podem agravar o descontrole da glicose e exigir acompanhamento odontológico mais frequente
A relação entre a saúde bucal e o controle da diabetes vai muito além da estética ou do conforto ao mastigar. Problemas na boca podem interferir diretamente na forma como o organismo regula os níveis de açúcar no sangue, tornando o acompanhamento odontológico um aliado importante para quem convive com a doença.
No Dia Mundial da Saúde Bucal, celebrado em 20 de março, especialistas reforçam que o cuidado com dentes e gengivas deve fazer parte da rotina de prevenção e controle da diabetes. Segundo Marina Lua Manfrin Martins, mestre e especialista em Periodontia, especialista em Dentística e docente do curso de Odontologia da Estácio, existe uma relação direta e de mão dupla entre as duas condições.
“Quando os níveis de glicose no sangue estão elevados, o organismo fica mais suscetível a infecções, inclusive na cavidade bucal. Ao mesmo tempo, infecções bucais podem aumentar a inflamação no organismo e dificultar o controle da glicemia”, explica.
Doenças gengivais são mais frequentes
De acordo com a professora, pessoas com diabetes apresentam com maior frequência problemas como gengivite e periodontite, inflamações que atingem a gengiva e os tecidos que sustentam os dentes.
“Essas doenças provocam um processo inflamatório no organismo que pode aumentar a resistência à insulina, hormônio responsável por controlar os níveis de açúcar no sangue”, afirma Marina.
Como consequência, o organismo passa a ter mais dificuldade para manter a glicemia equilibrada. Além das doenças gengivais, pacientes com diabetes também podem apresentar boca seca (xerostomia), infecções bucais recorrentes e cicatrização mais lenta após procedimentos odontológicos.
Alerta e prevenção
Alguns sintomas na cavidade bucal podem indicar que o diabetes não está bem controlado. Entre os sinais mais comuns estão gengivas vermelhas ou inchadas, sangramento durante a escovação, mau hálito persistente, sensação de boca seca e infecções frequentes.
“Em casos mais avançados, também pode ocorrer mobilidade dentária, quando os dentes passam a apresentar movimento por causa do comprometimento dos tecidos que os sustentam”, alerta a docente.
Para quem vive com diabetes, alguns cuidados simples no dia a dia ajudam a proteger a saúde bucal. A escovação adequada após as refeições, o uso diário do fio dental e a hidratação adequada são atitudes importantes para reduzir o risco de infecções e inflamações na boca.
Segundo Marina, o acompanhamento odontológico também deve fazer parte da rotina de cuidado. “De forma geral, recomenda-se que pessoas com diabetes façam consultas odontológicas a cada três a seis meses, para identificar possíveis problemas precocemente e prevenir doenças gengivais.”
O acompanhamento regular contribui para manter a saúde bucal em equilíbrio e também favorece o controle da própria diabetes, já que infecções na boca podem influenciar diretamente o metabolismo do organismo.