Frio, baixa umidade e dores crônicas: saiba como o clima pode agravar doenças crônicas e afetar músculos, ossos e circulação
Temperaturas mais baixas e ar seco podem agravar dores musculares, articulares e doenças crônicas. Especialista orienta sobre hábitos que ajudam a proteger o corpo durante o período
Com a chegada do frio e da baixa umidade do ar, aumenta a queixa de dores no corpo, rigidez muscular, cansaço e piora de doenças crônicas. Embora muitas pessoas associem esses sintomas apenas ao desconforto típico do inverno, especialistas alertam que as mudanças climáticas realmente impactam o funcionamento do organismo, principalmente em pacientes com doenças reumatológicas, cardiovasculares e autoimunes.
Segundo o reumatologista da Hapvida, Rodrigo Martins Carvalho, o frio faz o corpo reduzir a circulação sanguínea nas extremidades para preservar os órgãos vitais. Esse processo provoca maior rigidez muscular, diminuição da elasticidade dos tecidos e aumento da sensibilidade nas articulações, especialmente em pessoas que já convivem com inflamações, desgaste ósseo ou dores crônicas.
Pacientes com artrite, artrose, fibromialgia, lúpus, doenças circulatórias, e idosos, costumam sentir os efeitos de forma mais intensa. O clima seco também contribui para o agravamento dos sintomas ao provocar ressecamento da pele, olhos e vias respiratórias, além de favorecer irritações e infecções. Em Goiás, a fumaça das queimadas agrava ainda mais esse cenário.
“O frio não causa reumatismo, mas pode piorar sintomas e descompensar pacientes mais vulneráveis”, explica o especialista.
Alguns sinais de alerta
Além das dores musculares e articulares, o frio também pode aumentar a pressão arterial e a sobrecarga cardiovascular, exigindo atenção redobrada de pessoas hipertensas ou com doenças cardíacas.
O médico alerta que nem toda dor deve ser considerada “normal do frio”. Inchaço nas articulações, vermelhidão, falta de ar, fadiga intensa, perda de força e rigidez prolongada podem indicar inflamações ou agravamento da doença e precisam de avaliação médica.
Movimento e alimentação
Para reduzir os impactos do clima, a orientação é manter o corpo em movimento, mesmo nos dias frios.
“Caminhadas, alongamentos, pilates, musculação orientada e hidroginástica ajudam a preservar músculos, articulações e circulação. A alimentação também faz diferença. Proteínas, frutas, verduras, cálcio, vitamina D e gorduras boas auxiliam na saúde óssea e muscular, enquanto excesso de açúcar, frituras e ultraprocessados podem aumentar processos inflamatórios”, afirma o reumatologista.
Outro cuidado importante é a hidratação. Apesar da menor sensação de sede no frio, o corpo continua precisando de água para manter músculos, circulação e articulações funcionando adequadamente.
“Dormir bem, controlar o estresse, evitar automedicação e proteger o corpo das baixas temperaturas também ajudam a reduzir crises dolorosas e melhorar a qualidade de vida. Dor crônica não deve ser banalizada. Com prevenção, acompanhamento médico e hábitos saudáveis, é possível atravessar esse período com mais conforto e segurança”, conclui Rodrigo Martins Carvalho.