Preconceito ainda pesa sobre quem convive com a psoríase

Olhares, afastamento e constrangimento podem afetar autoestima e vida social de pacientes, explica psicóloga da Rede Hapvida

A psoríase é uma doença de pele relativamente comum, crônica, não contagiosa e de caráter cíclico, com períodos de melhora e reaparecimento dos sintomas. Trata-se de uma doença autoinflamatória que, em pessoas com predisposição genética, pode ser desencadeada por fatores ambientais ou comportamentais, levando ao surgimento de lesões avermelhadas e descamativas. Esse processo geralmente é controlado com tratamento e, como não é contagiosa, o contato com pessoas afetadas não oferece risco de transmissão.

Além das lesões na pele, a condição pode afetar diretamente a autoestima e a vida social dos pacientes. Aos 21 anos, a estudante de Enfermagem Maria Eduarda Borges voltou a enfrentar a doença após um período de controle. “As marcas e manchas que ficam me incomodam bastante, sinto vergonha e evito usar roupas que mostrem as partes mais marcadas”, relata.

Diagnosticada ainda muito nova, Maria Eduarda passou por meses de investigação e diferentes avaliações médicas até chegar ao diagnóstico. Após o tratamento, as lesões desapareceram, mas voltaram há cerca de um ano, em um período marcado por ansiedade e instabilidade emocional. “Não foi fácil a aceitação, até hoje não é, mas com o acompanhamento psicológico e o apoio da minha família consegui da primeira vez e creio que dessa vez também conseguirei”, afirma.

Segundo a psicóloga da Hapvida, Karina Siqueira, a psoríase é uma doença multifatorial, mas fatores emocionais podem contribuir para o agravamento das crises. “É comprovado que crises de estresse ou de ansiedade têm uma tendência a aumentar as crises de psoríase”, explica.

Além dos sintomas, o preconceito pode ampliar o sofrimento. Maria Eduarda conta que já enfrentou olhares e afastamentos de pessoas que confundem as lesões com doenças contagiosas. Para Karina, essas experiências podem prejudicar a autoestima e a vida social, alimentando um ciclo de ansiedade e estresse. “A vida social fica prejudicada porque ainda há grande preconceito”, afirma.

O acompanhamento psicológico, portanto, pode ser um aliado para ajudar o paciente a lidar com a própria imagem, fortalecer a autoestima e administrar emoções que podem intensificar os sintomas, sempre em conjunto com o tratamento médico. “Não digo que sou 100% resolvida com o meu corpo e as manchas, mas consigo aceitar melhor do que anos atrás”, diz Maria Eduarda.