Saúde mental: como o julgamento e a falta de escuta aprofundam a dor invisível
Em entrevista à TV Alego, o psicólogo Jorge Antônio Monteiro de Lima destaca que acolhimento, presença e articulação de redes de apoio são passos cruciais para combater o isolamento contemporâneo.
O sofrimento psíquico costuma ser silencioso e, quando finalmente se manifesta, muitas vezes é recebido com invalidação, cobranças ou julgamentos. Em entrevista ao programa Acorda Goiás (TV Alego), conduzido pelo jornalista Jordevá Rosa, o psicólogo e analista junguiano Jorge Antônio Monteiro de Lima — presidente do Instituto Olhos da Alma Sã — alertou para a urgência de mudarmos a forma como reagimos à dor do outro. Para o especialista, o acolhimento humano deve anteceder até mesmo o encaminhamento profissional.
“Se tem alguém em sofrimento na sua família, não julgue. A pior coisa que tem é o julgamento. Perceba que a pessoa está em sofrimento e encaminhe para um serviço especializado”, pontuou Jorge durante o programa.
A crise da convivência e o impacto da tecnologia
Segundo o especialista, a deterioração da saúde mental na sociedade atual não pode ser vista de forma isolada no indivíduo. Ela é reflexo direto do enfraquecimento dos laços comunitários e do isolamento social.
Presença desconectada: É comum ver pessoas no mesmo ambiente físico sem qualquer interação real, totalmente absorvidas por telas de celular.
Transformação social: A tecnologia não é a única vilã, mas atua como catalisadora do distanciamento interpessoal.
A necessidade do diálogo: Resgatar a capacidade de escuta ativa e a convivência presencial tornou-se uma urgência coletiva. “Quem de nós não precisa ser ouvido?”, provocou o psicólogo.
Impacto da violência e a urgência de redes integradas
O psicólogo também destacou como as diversas formas de violência — que vão muito além da agressão física — afetam o tecido social, provocando traumas em indivíduos, famílias e comunidades. Para combater esse cenário, ele defende a integração efetiva dos serviços já existentes, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e iniciativas do terceiro setor.
“Está faltando agregar, somar, fazer a coisa acontecer. Não é só falar em época de campanha. É criar estruturas”, criticou.
Acesso democratizado e o resgate da humanidade
Como resposta a essa demanda por cuidado acessível, o Instituto Olhos da Alma Sã — fundado em Goiânia e que completa 29 anos de atuação em 2026 — mantém uma Clínica Social. O modelo permite que o próprio paciente defina o valor do investimento nas sessões presenciais ou virtuais, alinhando o custo à sua realidade financeira.
Ao final da entrevista, Jorge reforçou que a reconstrução dos vínculos afetivos depende de gestos simples, mas profundos. “Vamos voltar a conviver, vamos olhar no olho”, convidou. Provocado a resumir o ingrediente essencial para enfrentar as mazelas da saúde mental na atualidade, sintetizou em um único conceito: “Humanidade.”