PF cita uso de prestígio de Paulo Guedes para chancelar empresa investigada por calote

Investigação aponta que imagem do ex-ministro da Economia era utilizada para transmitir segurança a investidores de grupo suspeito de operar pirâmide financeira.

O ex-ministro da Economia Paulo Guedes atuava como figura central para conferir credibilidade às operações do grupo OnilX, empresa sob investigação da Polícia Federal por crimes contra o sistema financeiro nacional. A apuração, conduzida pela 9ª Vara Federal de Curitiba sob sigilo e revelada pelo portal Metrópoles, analisa a conduta de 12 pessoas, incluindo Guedes e o fundador da firma, Fábio Lino.

Ainda que o foco principal das apurações recaia sobre os negócios de Lino, o ex-ministro entrou no radar policial devido a um suposto contrato publicitário com o grupo. De acordo com os investigadores, a OnilX utilizava a contratação de Guedes — sob o pretexto de consultoria técnica — para convencer aportadores a aplicarem recursos, aproveitando-se do seu renome no mercado financeiro.

As evidências apontam que a participação do economista ia além da emissão de pareceres internos. Guedes participava de reuniões estratégicas, recebia potenciais parceiros para negociações reservadas e autorizava o uso de sua imagem em peças promocionais. Em um dos materiais publicitários divulgados pela empresa, ele aparece ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa em um encontro classificado como de “alta relevância estratégica”, sendo apresentado como o responsável por dar “suporte e visão” aos projetos.

O nome do ex-ministro também é citado em processos judiciais movidos por investidores lesados. Diálogos anexados aos autos indicam que corretores da OnilX usavam o acesso direto a Guedes como trunfo comercial para fechar acordos milionários. A equipe de vendas afirmava explicitamente a clientes em potencial que o economista “estava dentro da empresa”, prometendo reuniões presenciais com ele para aportes entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões.

Entre junho e setembro, foram registradas ao menos 108 ações cíveis contra o conglomerado. Investidores alegam o bloqueio injustificado de fundos aplicados em criptoativos e moedas pareadas, o que reforça as suspeitas da prática de pirâmide financeira com promessas de alta liquidez. O grupo já havia recebido uma ordem de paralisação (stop order) da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por oferta irregular de valores mobiliários e responde a mais de uma centena de processos em sete estados.

A defesa de Paulo Guedes e de Fábio Lino está a cargo dos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso. Procurados para comentar as investigações, os juristas não enviaram posicionamento até a publicação. A OnilX nega ter cometido qualquer irregularidade e sustenta a legalidade de suas operações.