Cantor criado com IA tem hit e gera polêmica na internet. Entenda

A IA mudou a percepção sobre a música e pode ser usada como suporte para a produção de cantores, mas a geração 100% por IA ainda gera muita polêmica, ressalta Jeff Nuno, CEO da LUJO NETWORK e especialista em distribuição digital

Um cantor que aparenta ter cerca de 30 anos, reúne cerca de 1,5 milhão de ouvintes mensais no Spotify e viralizou com a música “Bonito, bonito” chamou a atenção do público. O detalhe é que Thiago Navarro não existe fisicamente: ele é um artista digital criado com inteligência artificial (IA).

A música passou de oito milhões de visualizações no YouTube em poucas semanas, ganhou coreografia nas redes sociais e chegou a inspirar uma versão do duo mexicano Río Roma.

Por trás do projeto está o compositor cubano Anier Cruz Revilla, responsável pela letra da música, ele usou ferramentas de inteligência artificial para desenvolver a voz, as melodias e a identidade do cantor virtual. O caso ilustra uma transformação na indústria musical: A tecnologia já permite criar não apenas instrumentais e arranjos, mas também vozes, imagens e personagens capazes de conquistar audiências reais.

Para Jeff Nuno, CEO da LUJO NETWORK e especialista em distribuição digital, a expansão dessas ferramentas abre novas possibilidades para artistas e produtores, mas também levanta questionamentos sobre os limites da criação automatizada.

“A inteligência artificial pode ser uma grande aliada no processo de produção musical, ajudando a desenvolver ideias, testar sonoridades e explorar caminhos criativos. A discussão ganha outra dimensão quando praticamente toda a obra, incluindo voz, composição musical e identidade artística, é gerada pela tecnologia, nestes casos ainda há muita polêmica envolida” avalia.

A IA como ferramenta de apoio à criação musical
A inteligência artificial já pode ser utilizada em diferentes etapas da produção musical. Com o auxílio de ferramentas especializadas, compositores e produtores conseguem experimentar harmonias, criar bases instrumentais, testar arranjos, desenvolver referências sonoras e acelerar tarefas que antes exigiam mais tempo e recursos técnicos.

Assim, a tecnologia é um recurso complementar à criatividade humana. Um artista pode começar com uma letra, uma melodia simples ou uma ideia de estilo e utilizar sistemas de IA para explorar possibilidades. A seleção das versões, os ajustes e as decisões sobre o resultado final continuam podendo ficar sob responsabilidade do profissional.

“A grande polêmica surge quando o processo é feito 100% com IA, para isso ainda há muita ressalva de vários setores”.

“Mas a IA poder ser uma ferramenta de suporte muito importante, como no caso do LUJO NETWORK 2.0. foi desenvolvida para facilitar o lançamento, divulgação e gestão de artistas independentes, e possui uma ferramenta de suporte à geração de criação de banners e outros materiais de divulgação, um recurso importante para artistas que estão começando sua carreira”, destaca Jeff Nuno.

O desafio das plataformas de streaming
O crescimento da música gerada por IA também cria desafios para os serviços de streaming. As plataformas precisam lidar com o aumento do volume de lançamentos, identificar conteúdos produzidos artificialmente e combater possíveis fraudes relacionadas a reproduções e remuneração.

O desafio maior é diferenciar projetos legítimos de práticas que tentam manipular os sistemas de distribuição e pagamento. Uma música criada com IA não é, por si só, fraudulenta. A análise depende de fatores como a forma de produção, a identificação do conteúdo e o uso que é feito das plataformas.

Para Jeff Nuno, a discussão precisa acompanhar a evolução do mercado digital.

“A distribuição musical está passando por uma transformação importante. As ferramentas de IA ampliam as possibilidades de criação, mas artistas, distribuidores e plataformas precisam discutir critérios de transparência, responsabilidade e uso adequado da tecnologia”, conclui.