Haddad avalia disputar o Palácio dos Bandeirantes e PT acelera articulações em São Paulo
Pressionado por aliados de Luiz Inácio Lula da Silva diante da movimentação da direita no Estado, ministro da Fazenda pode anunciar pré-candidatura ao governo paulista nos próximos dias.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pode anunciar ainda nesta semana sua pré-candidatura ao governo de São Paulo. A possível entrada na disputa é vista por integrantes do PT como estratégica para organizar o palanque governista no maior colégio eleitoral do país e reagir ao avanço da direita nas articulações para 2026.
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendem uma ofensiva imediata no Estado, sobretudo após a aproximação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O movimento é interpretado como um esforço para consolidar alianças e antecipar a formação de chapas competitivas em São Paulo.
Segundo reportagem do jornal Valor Econômico, a expectativa entre petistas é que Haddad formalize a intenção de disputar o Palácio dos Bandeirantes ao lado de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). A avaliação interna é que o desempenho em São Paulo poderá ser determinante para o cenário nacional em 2026, especialmente em um contexto de oscilações na aprovação do governo federal.
A pressão por definição se intensificou diante da leitura de que a direita tem avançado com rapidez nas negociações. Na última sexta-feira (27), Flávio Bolsonaro reuniu-se com Tarcísio de Freitas para tratar da composição do palanque paulista. Após o encontro, o senador publicou nas redes sociais uma foto ao lado do governador, reforçando o gesto de unidade e sinalizando protagonismo do PL na construção de uma eventual candidatura bolsonarista no Estado.
De acordo com a reportagem, o PL busca assegurar a vaga de vice na chapa de Tarcísio, mas ainda não há confirmação. Uma das vagas ao Senado por São Paulo teria sido destinada ao deputado Guilherme Derrite (PP), enquanto a outra estaria reservada ao PL, numa tentativa de unificar forças da direita e reduzir dispersões.
No campo governista, Haddad tem negado que haja decisão tomada para deixar o Ministério da Fazenda. Ainda assim, interlocutores do PT afirmam que as conversas evoluíram e que restam ajustes, sobretudo com Alckmin, considerado peça-chave para ampliar a competitividade no interior paulista, onde o bolsonarismo mantém forte influência.
Em 2022, Lula venceu com ampla vantagem na capital paulista, enquanto o então presidente Jair Bolsonaro obteve maioria no Estado como um todo, refletindo o peso eleitoral do interior. A estratégia petista, caso Haddad confirme a candidatura, seria repetir o bom desempenho na capital e ampliar a penetração no interior com o apoio de Alckmin, historicamente bem avaliado nessas regiões.
Nos bastidores, também há sinais de tensão na base de Tarcísio, especialmente após movimentos do presidente do PSD e secretário de Governo, Gilberto Kassab. Kassab anunciou uma caravana com três nomes cotados à Presidência — Eduardo Leite, Ratinho Júnior e Ronaldo Caiado — em agendas de articulação partidária. Diante de rumores de desgaste, ele utilizou as redes sociais para reafirmar a parceria com o governador paulista e defender a continuidade do projeto político conjunto.