Com pressão sobre o crédito rural, agro goiano reforça estratégias de proteção patrimonial
Entenda por que a integração entre gestão de ativos e ferramentas sucessórias se tornou o pilar central para garantir que as empresas familiares atravessem gerações com saúde financeira
O planejamento patrimonial deixou de ser um tema restrito ao futuro ou limitado à elaboração de testamentos e passou a ocupar um papel estratégico entre famílias de alta renda, especialmente no agronegócio. Em Goiás, onde o campo é um dos principais motores da economia, essa mudança reflete uma necessidade prática: garantir a continuidade de negócios que movimentam bilhões e atravessam gerações.
Dados do IBGE de 2025 mostram que Goiás registrou crescimento econômico de 4,4%, dentro do acumulado do mesmo ano. No período, o setor agropecuário foi o grande destaque absoluto entre as atividades econômicas, impulsionado por uma supersafra que colheu 23,3% mais grãos em relação ao ano anterior, puxando o desempenho do estado. Esse avanço também se refletiu de forma histórica no comércio exterior: as exportações do agro goiano atingiram o patamar recorde de US$ 10,9 bilhões, com forte liderança do complexo soja e da carne bovina.
Esse cenário leva o produtor rural a se preocupar com o futuro. “A XP tem protagonizado a ponte entre o campo e a Faria Lima, levando para dentro das porteiras ferramentas que antes estavam restritas a grandes corporações. Hoje, o produtor deixa de ser apenas tomador de crédito e passa a atuar como estrategista do próprio negócio”, afirma Fátima Martins, Chefe Comercial do Segmento Agro da XP.
Nesse novo contexto, o planejamento patrimonial deixa de ser uma etapa isolada e passa a integrar a gestão do negócio. Isso inclui organização societária, proteção de ativos, gestão tributária, diversificação internacional e, principalmente, a estruturação da sucessão.
A urgência do tema é evidente. No Brasil, o desafio da longevidade corporativa segue crítico: apenas 7% das empresas familiares conseguem sobreviver à transição para a terceira geração, segundo os dados do Sebrae. No agro goiano, esse gargalo ganha ainda mais complexidade, já que patrimônio, terra e operação estão diretamente conectados e impactam a economia de grande parte dos municípios do estado.
“O agro brasileiro se profissionalizou. Hoje, tão importante quanto produzir bem é ter inteligência financeira para atravessar ciclos, proteger patrimônio e preparar a próxima geração. Muitas famílias do agro construíram patrimônio com muito esforço, mas sem estrutura de governança. O desafio agora não é apenas crescer, é garantir que esse legado continue saudável nas próximas gerações, destaca Fátima Martins.
Um dos principais gargalos ainda está na falta de separação entre patrimônio pessoal e empresarial. “Separar o patrimônio da família do risco da operação é o primeiro passo para proteger o legado familiar. Muitas famílias ainda misturam contas e ativos, o que expõe todo o patrimônio a riscos desnecessários, como dívidas operacionais ou disputas judiciais”, destaca.
Nesse sentido, estruturas como holdings familiares têm ganhado espaço como solução prática. Além de facilitar a sucessão, permitem organizar a gestão dos ativos, reduzir riscos e otimizar a carga tributária. Ao mesmo tempo, abrem portas para fontes mais sofisticadas de financiamento, como fundos estruturados e operações fora do modelo bancário tradicional.

Fátima Martins, Chefe Comercial do Segmento Agro da XP
“Empresas do agro que organizam seu fluxo de caixa e antecipam cenários conseguem evitar endividamento caro e acessar crédito em melhores condições. Em um setor sujeito a variações de safra, clima e preço de commodities, esse controle é decisivo”, afirma Fátima.
Mais do que proteger patrimônio, o planejamento integrado passa a ser uma vantagem competitiva. A capacidade de unir investimentos, crédito, proteção patrimonial e sucessão dentro de uma estratégia única, sustentada por governança, define quais empresas conseguirão crescer e atravessar gerações.
Nesse processo, o assessor de investimentos ganha um papel central, afirma o especialista em investimentos, sócio e líder regional da XP no Centro-Oeste, Marco Loureiro. “Contar com um assessor que entenda tanto o negócio quanto a dinâmica familiar permite integrar todas essas frentes. Ele atua como um parceiro estratégico na construção de longo prazo”, afirma.
O diferencial do especialista em agro está na capacidade de utilizar instrumentos financeiros como LCAs, CRAs e Fiagros para diversificar o patrimônio para além da porteira, criando estruturas financeiras que facilitem a sucessão hereditária e evitem a descapitalização da fazenda no momento da transição entre gerações.
Com o agro consolidado como base econômica de Goiás e em expansão contínua, a forma como esse patrimônio será organizado nos próximos anos tende a impactar não apenas as famílias, mas o próprio desenvolvimento do estado.

Marco Loureiro, sócio e líder da regional da XP no Centro-Oeste
“A sucessão bem estruturada não é custo, é investimento em longevidade. As famílias que se organizam hoje têm mais chances de preservar e expandir seu patrimônio no futuro”, conclui Marco Loureiro.