Haddad explica por que Trump, apoiado por Tarcísio e Flávio Bolsonaro, quer acabar com o Pix
Em vídeo, ministro afirma que sistema brasileiro de pagamentos ameaça interesses de gigantes financeiras dos EUA e critica aliados de Trump no Brasil
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, divulgou um vídeo nas redes sociais logo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e apontar o Pix entre os alvos das críticas de seu governo. Na gravação, Haddad afirma que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos passou a ameaçar interesses de grandes corporações norte-americanas e acusa aliados de Trump no Brasil de atuarem contra os interesses nacionais.
Segundo Haddad, o Pix se tornou um alvo porque reduziu a dependência de sistemas controlados por grandes empresas internacionais do setor financeiro. O petista cita grupos como Visa, Mastercard e Meta, empresa proprietária do Instagram e do WhatsApp, como alguns dos agentes econômicos afetados pelo avanço da ferramenta criada pelo Banco Central.
“Gente, sabe por que o Trump tem tanta bronca do nosso Pix? Porque o Pix ameaça interesses de grandes empresas americanas, como Visa, Mastercard e plataformas ligadas à Meta”, afirmou.
Para Haddad, a decisão de Trump de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros representa mais do que uma disputa comercial. Segundo ele, a medida ameaça empregos e atividades econômicas em diferentes regiões do estado de São Paulo e do Brasil.
O ex-ministro citou as indústrias de calçados de Franca, o polo petroquímico de Cubatão, o setor de máquinas e equipamentos do ABC paulista e segmentos do agronegócio como áreas potencialmente afetadas pela política tarifária anunciada pelos Estados Unidos.
Críticas a Tarcísio e Flávio Bolsonaro
Durante o vídeo, Haddad relaciona a ofensiva de Trump à atuação de lideranças da direita brasileira alinhadas ao presidente norte-americano.
“Se Trump é o pai desse ataque ao Pix, os padrinhos são velhos conhecidos nossos: a família Bolsonaro e seus aliados”, declarou.
O petista citou nominalmente o senador Flávio Bolsonaro e o governador paulista Tarcísio de Freitas. Segundo Haddad, ambos representam um campo político que mantém estreita identificação com Trump e que, na sua avaliação, não tem defendido adequadamente os interesses econômicos brasileiros diante das pressões externas.
Haddad também lembrou que integrantes da família Bolsonaro mantiveram interlocução política nos Estados Unidos em momentos de tensão comercial envolvendo o Brasil. Na avaliação do pré-candidato, a coincidência entre encontros políticos recentes e o recrudescimento das ameaças tarifárias merece atenção da sociedade brasileira.
Pix e soberania nacional
Ao longo da mensagem, Haddad apresenta o Pix como uma conquista estratégica do país e afirma que sua defesa deve unir diferentes setores da sociedade.
“O Pix é uma conquista do Brasil. É um patrimônio dos brasileiros”, disse.
O ex-ministro sustenta que o debate envolve soberania econômica e tecnológica, uma vez que o sistema brasileiro se consolidou como uma alternativa eficiente e de baixo custo para milhões de pessoas e empresas.
Segundo Haddad, a reação da opinião pública levou aliados de Trump no Brasil a negar qualquer participação ou apoio às medidas anunciadas pelo governo norte-americano. Ainda assim, ele afirmou que a população é capaz de identificar quais lideranças defendem os interesses nacionais e quais mantêm alinhamento prioritário com interesses estrangeiros.
Encerrando o vídeo, Haddad convocou os brasileiros a defenderem o Pix e a compartilharem a mensagem nas redes sociais. “O povo está vendo quem realmente defende os interesses do país, dos trabalhadores e da nossa economia. Vamos mostrar o que é patriotismo de verdade”, afirmou.