Golpe do falso aluguel: especialista alerta para sinais de fraude e cuidados antes de pagar

Anúncios com valores muito abaixo do mercado, pressão para transferência via Pix e dificuldade para comprovar a identidade do proprietário ou do corretor devem despertar a desconfiança

A procura por um imóvel para morar pode se transformar em prejuízo quando a pressa para fechar o negócio impede a verificação das informações. Golpistas têm utilizado anúncios reais, contratos com aparência profissional e até visitas presenciais aos imóveis para enganar pessoas interessadas em alugar casas e apartamentos.

Um caso recente ocorrido em Goiânia acendeu esse alerta. A influenciadora Vanessa Fonseca relatou ter perdido quase R$ 6 mil durante a mudança para a capital. Segundo a vítima, o homem que conduziu a negociação se apresentou como corretor, possibilitou a visita ao apartamento e encaminhou um contrato. Essa fraude só foi descoberta quando ela procurou a administração do condomínio e constatou que o suposto profissional não era responsável pelo imóvel.

De acordo com a diretora comercial da imobiliária URBS Aluga, Gyselle Campos Rodrigues, os golpes estão cada vez mais sofisticados. Além de copiarem fotografias e informações de imóveis reais, os criminosos chegam a criar sites e portais falsos, fazendo com que a negociação pareça legítima. Também podem se passar por proprietários ou corretores e solicitar pagamentos antecipados.

“Por isso, não basta confiar na aparência do anúncio. Verifique qual empresa está anunciando, se ela possui sede física, CNPJ, telefone oficial e histórico de atuação. Uma pesquisa rápida pode evitar um grande prejuízo”, orienta.

O Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Goiás (Creci-GO) também alerta para casos em que criminosos anunciam imóveis reais por valores abaixo dos praticados no mercado e solicitam o pagamento antecipado do aluguel. A entidade recomenda que o interessado exija a documentação completa e desconfie de ofertas fora da realidade.

Preço baixo e pressa são sinais de alerta

O valor muito inferior ao de imóveis semelhantes na mesma região é uma das principais estratégias empregadas pelos golpistas. A suposta oportunidade é acompanhada, normalmente, por um discurso de urgência, com a alegação de que há outras pessoas interessadas e que o imóvel pode ser alugado a qualquer momento.

Entre os sinais que devem despertar desconfiança estão o pedido de Pix antes da assinatura do contrato, o atendimento realizado exclusivamente pelo WhatsApp e a dificuldade para comprovar quem é o proprietário ou o corretor responsável pela negociação. “Sempre desconfie quando a oportunidade parece boa demais”, alerta Gyselle.

A falsa intermediação, os anúncios clonados e a divulgação de imóveis sem autorização do proprietário estão entre as fraudes identificadas no mercado. Em algumas situações, os criminosos solicitam o pagamento de sinal, reserva ou taxa antecipada e desaparecem após receberem o dinheiro.

Verifique o corretor e a imobiliária

Antes de avançar na negociação, o interessado deve pesquisar se o corretor e a imobiliária possuem registro no Creci. Também é importante conferir o CNPJ, o endereço físico, os canais oficiais de atendimento e a reputação da empresa. “Pesquise se a imobiliária possui registro no CRECI, verifique a reputação da imobiliária, confira se ela possui endereço físico, CNPJ, canais oficiais de atendimento e avaliações de clientes no reclame aqui”, recomenda.

A verificação deve ser feita por meio dos canais oficiais da empresa, e não apenas pelo número de telefone disponibilizado no anúncio. Dessa forma, o consumidor pode confirmar se o imóvel realmente faz parte da carteira da imobiliária e se o profissional que conduz o atendimento está vinculado à empresa.

“Também é importante confirmar se quem está negociando realmente tem autorização do proprietário para locar o imóvel”, acrescenta Gyselle. O site do Creci-GO disponibiliza uma ferramenta para consulta de corretores e imobiliárias registrados no estado.

Não pague antes de conferir os documentos

Nenhum pagamento deve ser realizado sem que o interessado tenha visitado o imóvel, confirmado os dados do corretor ou da imobiliária e analisado a documentação da locação. Antes de transferir qualquer valor, é necessário conferir documentos como o contrato de locação e a vistoria técnica do imóvel, além de garantir que todas as partes envolvidas assinem o contrato por meios seguros.

A especialista reforça que a pressão para realizar uma transferência imediata é incompatível com uma negociação segura. “Golpistas costumam criar um senso de urgência, alegando que há outros interessados ou que a oportunidade será perdida para induzir a vítima a fazer uma transferência imediata. Se houver pressão para pagar antes da devida conferência das informações e documentos, desconfie. Em uma negociação segura, todas as etapas são realizadas com transparência e sem pressa”, explica.

Visitar o imóvel não elimina o risco

Embora seja uma etapa indispensável, a visita presencial não é suficiente para comprovar que a negociação é legítima. O caso ocorrido em Goiânia demonstra que uma fraude pode apresentar diferentes elementos de aparente regularidade, como acesso ao apartamento e envio de contrato. “Visitar o imóvel não significa que a negociação seja verdadeira. Inclusive, no caso recente divulgado pela imprensa em Goiânia, a vítima visitou o apartamento e, mesmo assim, caiu no golpe”, destaca Gyselle.

Por isso, mesmo depois de conhecer a casa ou o apartamento, o futuro inquilino deve confirmar quem é o proprietário, verificar os dados do corretor ou da imobiliária responsável pela intermediação e conferir se toda a documentação está regular.

Também é recomendável confirmar as informações diretamente com a empresa por meio dos canais oficiais. Nos casos de apartamentos, o interessado pode procurar a administração do condomínio para verificar se o imóvel está realmente disponível e se o profissional responsável pela visita está autorizado a negociá-lo.

Caiu no golpe? É preciso agir rapidamente

Ao perceber que foi vítima de uma fraude, a pessoa deve registrar um boletim de ocorrência (BO) e entrar em contato com a instituição financeira utilizada na transferência para verificar a possibilidade de bloqueio ou recuperação do valor.

“A orientação é agir imediatamente: registrar um Boletim de Ocorrência, comunicar o banco para tentar bloquear a transferência, guardar todos os comprovantes e conversas e procurar orientação jurídica”, afirma Gyselle.

A vítima deve preservar anúncios, contratos, recibos, comprovantes de pagamento, números de telefone, mensagens, áudios e demais informações relacionadas à negociação. Esses registros podem auxiliar a investigação policial e a identificação dos responsáveis.

Segundo a especialista, quanto mais rapidamente essas providências forem tomadas, maiores serão as possibilidades de contribuir com a investigação. O golpe também deve ser formalmente comunicado à polícia.

Segurança durante toda a locação

Segundo Gyselle, a atuação de uma imobiliária não se limita à apresentação do imóvel e à elaboração do contrato. O trabalho envolve análise documental, orientação técnica e acompanhamento da relação entre proprietário e inquilino durante o período da locação.

“Alugar um imóvel é uma decisão importante, que envolve patrimônio, moradia e tranquilidade. Muitas pessoas acabam assumindo riscos em busca de um desconto ou de uma condição aparentemente mais vantajosa, mas essa economia pode resultar em prejuízos financeiros e muita dor de cabeça”, alerta.

A especialista destaca que a contratação de uma empresa consolidada também pode contribuir para que os direitos e deveres de proprietários e inquilinos sejam respeitados.

“A contratação de uma imobiliária consolidada não representa apenas a intermediação do negócio. Ela agrega segurança, análise documental, orientação técnica e equilíbrio na relação entre locador e locatário, garantindo que direitos e deveres sejam respeitados conforme a legislação. Além disso, oferece suporte durante toda a locação, prevenindo conflitos e auxiliando na solução de eventuais problemas”, explica.

Então, pesquisar a empresa, confirmar as informações e negociar com profissionais habilitados são, de acordo com Gyselle, medidas fundamentais para reduzir os riscos de fraude.

“No mercado imobiliário, uma prestação de serviço profissional é um investimento em segurança. Antes de fechar qualquer negócio, pesquise a empresa, confirme as informações e negocie com profissionais habilitados. A tranquilidade de uma locação segura vale muito mais do que qualquer vantagem aparente”, conclui.