Amorim avalia que crise no Paraguai pode aproximar ainda mais país do Mercosul
Assessor de Lula criticou o alinhamento do governo paraguaio com Donald Trump e espera maior aproximação com a nação vizinha
O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, manifestou esperança de que a crise política no Paraguai abra caminho para uma aproximação do país com o Brasil e o Mercosul. Em entrevista à CNN Brasil, ele comentou a renúncia de Santiago Peña e as perspectivas para as relações entre os dois países.
Amorim afirmou que espera que a mudança política contribua para aproximar o Paraguai do Mercosul e afastá-lo do chamado “Escudo das Américas”, grupo criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reúne países alinhados política e ideologicamente ao seu governo. Peña havia formalizado a entrada paraguaia na iniciativa, da qual o Brasil não participa.
Ao comentar a importância do Paraguai para o Brasil, Amorim mencionou a relação entre os dois países e a usina binacional de Itaipu. “O Paraguai é um país muito importante para o Brasil, não só pela binacional Itaipu, mas é muito próximo, então sempre nos interessa muito o que acontece por lá”, afirmou.
Amorim critica alinhamento de Peña com Washington
O assessor especial também avaliou negativamente a aproximação do governo de Santiago Peña com os Estados Unidos. Como exemplo, citou o acordo militar firmado entre os dois países, que autorizava a presença de militares estadunidenses em território paraguaio para a realização de treinamentos.
A proximidade territorial entre Paraguai e Brasil tornava esse acordo motivo de preocupação para o governo brasileiro.
Amorim também mencionou o distanciamento político entre os dois países e as posições críticas de alguns políticos paraguaios em relação ao Brasil. “O Paraguai já esteve muito mais próximo do Brasil do que está ultimamente”, disse.
Crise pode abrir caminho para retomada da cooperação
Ao comentar os acontecimentos que levaram à renúncia de Peña, Amorim avaliou que a crise teve origem em questões internas, relacionadas a um problema bancário, e aparentemente respeitou os procedimentos constitucionais.
O assessor demonstrou expectativa de que a mudança permita avanços nas relações bilaterais e na discussão de questões históricas envolvendo energia e Itaipu. “Eu tenho esperança que esse fato permita que se consiga evoluir positivamente, não só na solução das questões sempre pendentes”, afirmou.
Amorim também ponderou que a renúncia e a crise política não eram acontecimentos desejáveis, mas expressou esperança de que seus desdobramentos sejam positivos. “Esperemos muito que isso possa ocorrer e que, obviamente, ninguém deseja renúncias, nem crises, mas aconteceu”, disse. www.brasil247.com