Entrevista com Fred Le Blue Assis, idealizador do “Grande Goiânia por um Goiás Sustentável”
Entrevista com Fred Le Blue Assis, idealizador do “Grande Goiânia por um Goiás Sustentável”
Como surgiu esta proposta da Agenda Sustentável para Grande Goiânia e o Estado de Goiás?
Surgiu da necessidade de elevar o nível do debate público nesta corrida eleitoral trazendo temas, normalmente, secundarizados, de extrema relevância sobre desenvolvimento sustentável na Grande Goiânia e em Goiás.
Há também a necessidade de Goiás, tendo Goiânia como fio condutor, em função das conjunturas imposta pelas mudanças climáticas e sociais estruturais, aderir a um paradigma interdisciplinar de planejamento urbano para Goiás, estruturado em eixos territoriais que articulam mobilidade, saúde,
educação, cultura, inovação, patrimônio, meio ambiente e desenvolvimento econômico.
Qual o objetivo dessa Agenda?
O objetivo é construir cidades mais
humanas, inclusivas, resilientes e competitivas, reduzindo desigualdades, fortalecendo a identidade goiana (goianiense) e promovendo
qualidade de vida para as atuais e futuras gerações.
Mais do que um conjunto de obras e soluções, trata-se de uma agenda integrada de transformação urbana e regional, orientada
pela sustentabilidade sistêmica, pela cooperação metropolitana comunitária e política, e pela valorização do patrimônio material,
ambiental e cultural de Goiás e de Goiânia.
Essa pauta tem conseguido espaço na agenda política de gestores e candidatos para discutir desenvolvimento sustentável?
Estamos apresentando a proposta desse projeto para diversos vereadores e deputados estaduais e federais, prefeitos e diversoa candidatos a deputados, senadores e governador. Algumas dessas propostas são oriundas desses agentes políticos que dialogam com um dos 8 eixos estratégicos de políticas públicas municipais, metropolitanos e estaduais voltadas ao desenvolvimento humano, à sustentabilidade, à inovação, à cultura (patrimônio), à inclusão social e ao fortalecimento da identidade regional.
Como conciliar desenvolvimento sustentável, já que Goiânia hoje é uma metrópole em evolução?
A Agenda Estratégica “Grande Goiânia por um Goiás Sustentável” propõe uma visão integrada de desenvolvimento para nossa capital, os municípios da sua Região Metropolitana e demais cidades do Estado, que vivem sob a égide da sua capitalidade política e cultural.
O projeto dialoga com os princípios da Agenda 2030 da ONU, dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), do Novo Urbanismo, do Estatuto da Cidade, do Pedestre e da Pessoa com Deficiência, bem como, das políticas nacionais de desenvolvimento
regional, propondo ações capazes de melhorar a qualidade de vida da população, fortalecer a economia criativa, preservar o patrimônio histórico e ambiental e preparar Goiânia para o seu centenário, em 2033, consolidando a sua posição como referência estadual e nacional em planejamento urbano sustentável.
Quais são os eixos defendidos pelo projeto?
A agenda “Grande Goiânia por um Goiás Sustentável” tem apenas 8 eixos, ao contrário da Agenda 2030 que tem 17 e são de difícil de recordação.
O nosso projeto tem como inspiração os grandes eixos viários da capital que tem a praça Cívica como ponto de convergência, representando toda a cidade e todo o Estado. Cada avenida deixa de ser apenas um corredor de circulação e passa a representar um tópico de desenvolvimento afim a sua configuração e imaginário urbano. Assim, fica mais lembrar,
Por que o lema do projeto é “Se Goiás é o coração do Brasil, Goiânia é o coração de Goiás”?
Goiânia é uma capital ecologicamente correta que foi fundada assim por adesão do seus arquitetos de fora do Estado que aplicaram aqui as vanguardas urbanísticas e paisagísticas importadas mais sofisticadas da época. Em função disso, esses valores modernos foram sendo ocultados pela cultura do agronegócio, do sertanejo universitário e do coronelismo político que se impuseram por serem a força motriz do Estado. No entanto, a capital ainda preserva o seu patrimônio histórico e cultural que a faz ser exemplar em muitos aspectos do desenvolvimento sustentável, que devem ser autenticados para dar um novo norte para o Estado de Goias, que tem crescido muito, mais ainda, de forma, refratário à sustentabilidade. A proposta aqui é dar mais vazão a memória coletiva moderna urbanística e ambientalista de Goiânia, linkando, no presente, seu passado associado ao ideário da Revolução de 1930, com o seu futuro associável à Agenda 2030. São 100 anos da ideia de Goiânia, uma cidade eclética, ecumênica e sincrética, tradicionalmente, pré-moderna, moderna e pós-moderna