Nova NR-1 torna obrigatória a gestão de riscos psicossociais nas empresas

Superintendente do Instituto de Apoio aos Funcionários ativos do Setor de Terceirização de Mão de Obra, Rousilene Melo, fala sobre como o setor de serviços está entre os mais impactados pelas novas exigências da norma

O Brasil voltou a registrar aumento nos afastamentos do trabalho por transtornos mentais, reforçando um cenário de alerta para empresas e trabalhadores. Dados recentes do Ministério da Previdência Social mostram que, em 2025, as licenças por ansiedade e depressão cresceram 15% em relação ao ano anterior e já representam a segunda maior causa de afastamento no país, atrás apenas das doenças da coluna. Diante desse contexto, entra em vigor, a partir de maio de 2026, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece diretrizes gerais sobre segurança e saúde no trabalho.

A nova redação, alterada pela Portaria MTE nº 1.419/2024, passa a exigir que empresas incluam os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Na prática, isso significa que fatores como assédio, sobrecarga de trabalho, pressão por produtividade e estresse deixam de ser tratados de forma subjetiva e passam a integrar, obrigatoriamente, a gestão formal de riscos das empresas. Além disso, as organizações deverão apresentar inventários de risco, planos de ação, critérios de avaliação e comprovar, de forma contínua, as medidas adotadas para prevenção e monitoramento desses fatores.

Para a superintendente do Instituto de Apoio aos Funcionários ativos do Setor de Terceirização de Mão de Obra – IAFAS, Rousilene Melo, a mudança representa um avanço importante na forma como a saúde mental é tratada no ambiente de trabalho, especialmente em setores com alta carga operacional, como o de serviços. “A nova NR-1 representa um avanço significativo na proteção do trabalhador. Ela amplia o conceito de gerenciamento de riscos ocupacionais, incluindo explicitamente os riscos psicossociais”, destaca.

Segundo ela, a atualização também promove uma mudança estrutural na cultura organizacional das empresas. “Antes, a saúde mental muitas vezes era tratada de forma informal ou reativa, com a exigência da norma, ela passa a ser uma responsabilidade institucional e estratégica, integrada ao PGR e às práticas de segurança e saúde no trabalho. O desafio agora é antecipar problemas antes que eles afetem a saúde e a produtividade, criando uma cultura de cuidado contínuo”, reforça a superintendente.

Setor de serviços exige atenção

No setor de serviços, especialmente nas áreas de asseio, conservação e segurança privada, os desafios relacionados à saúde mental são evidentes. A inclusão dos riscos psicossociais na NR-1 exige que as empresas avancem para além do cumprimento burocrático da norma, adotando uma abordagem estruturada e contínua de prevenção.

Para Rousilene, apesar dos avanços regulatórios, o principal desafio está na prevenção. A superintendente entende que muitas empresas já reconhecem a importância da saúde mental, mas enfrentam dificuldades para transformar esse conhecimento em práticas efetivas. Entre os obstáculos estão a dificuldade de identificar sinais precoces de adoecimento emocional, a falta de integração da saúde mental às políticas de segurança do trabalho e a cultura organizacional ainda baseada em alta pressão por resultados. “O primeiro passo é compreender a norma e identificar os riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho. Esses fatores precisam ser mapeados e monitorados e acompanhados.”

Nesse novo cenário regulatório, estão sendo realizadas iniciativas estruturadas de conscientização, capacitação, mapeamento de riscos através do SESMT Compartilhado/Coletivo do Instituto, além de suporte emocional nos casos específicos, nos quais deixam de ser apenas um benefício e passam a integrar a estratégia de gestão das empresas, contribuindo para que avancem não apenas na conformidade legal, mas na construção de ambientes mais saudáveis e produtivos.

Iafas se posiciona como parceiro das empresas

Com a entrada em vigor da nova NR-1, o Iafas reforça seu papel como parceiro estratégico das empresas, oferecendo suporte técnico, capacitação e acompanhamento contínuo para adequação às novas exigências através do SESMT Compartilhado/Coletivo. Entre as frentes de atuação estão a orientação sobre a norma atualizada, o mapeamento de riscos psicossociais, o desenvolvimento de planos de ação, a capacitação de equipes e o monitoramento de indicadores de saúde e segurança.

Para o Iafas, a nova NR-1 marca um ponto de virada na forma como a saúde mental é tratada no ambiente corporativo, deixando de ser um tema secundário para se tornar parte essencial da gestão organizacional. “O instituto atua para garantir que as empresas não apenas cumpram a legislação, mas também promovam ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e produtivos. A gestão formal dos riscos psicossociais pode contribuir significativamente para a redução de casos de adoecimento emocional, ao incentivar ações preventivas, monitoramento contínuo e suporte adequado aos trabalhadores”, conclui Rousilene.