Governo Lula vai prorrogar Desenrola 2.0 por mais um mês

Programa voltado a trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos deve ganhar pelo menos mais 30 dias

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu prorrogar o Desenrola Brasil 2.0 por pelo menos mais 30 dias, em meio ao avanço das renegociações de dívidas e à melhora na percepção pública sobre o programa. A iniciativa, que terminaria em 3 de agosto, é uma das apostas do Planalto para ampliar o alcance de medidas econômicas voltadas à população de baixa e média renda. A informação foi divulgada inicialmente pelo O Globo.

Segundo um integrante da equipe econômica ouvido pela reportagem, a extensão deve ser, em um primeiro momento, de 30 dias, mas o prazo ainda pode ser ampliado pelo governo.

O Desenrola Brasil 2.0 já renegociou R$ 22 bilhões em dívidas até quinta-feira (23), de acordo com o último balanço do Ministério da Fazenda. Ao todo, foram registradas 3,6 milhões de operações dentro da nova etapa do programa.

A prorrogação ocorre em um momento em que o governo identifica efeitos positivos da política na avaliação da gestão Lula. Pesquisa Quaest divulgada em julho apontou que 55% dos entrevistados consideravam o Desenrola Brasil 2.0 positivo. Em maio, esse índice era de 50%, o que indica crescimento de cinco pontos percentuais na percepção favorável ao programa.

A nova fase do Desenrola tem como público-alvo trabalhadores com renda mensal de até cinco salários mínimos. Para participar da renegociação, é necessário ter dívidas vencidas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos.

Entre as modalidades aceitas estão dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. O desenho do programa busca atingir famílias endividadas que ainda enfrentam dificuldades para reorganizar o orçamento, mesmo em um cenário de melhora de alguns indicadores econômicos.

Com a renovação, o governo pretende manter aberta a janela de renegociação para ampliar o número de beneficiados. A medida também reforça a tentativa do Planalto de associar a agenda econômica a ações de impacto direto sobre o bolso da população, especialmente no ano eleitoral.