Servidores da educação de Aparecida fazem paralisação em frente ao Paço Municipal nesta quarta (15)
Mobilização do Sintego Aparecida inclui assembleia e cobrança por avanços nas negociações
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) – Regional Aparecida de Goiânia realiza, na próxima quarta-feira (15), uma Assembleia Extraordinária com paralisação dos trabalhadores da Rede Municipal de Educação. A atividade está marcada para as 8 horas, em frente ao Paço Municipal de Aparecida de Goiânia.
A mobilização integra a paralisação nacional da classe trabalhadora e, no contexto local, busca pressionar por avanços nas negociações com a administração municipal.
De acordo com o presidente do Sintego Regional Aparecida, professor Antônio Carlos, a decisão pela paralisação está diretamente ligada à necessidade de fortalecer a luta por valorização profissional e garantir o cumprimento de direitos da categoria.
“A paralisação do dia 15 faz parte de um movimento nacional em defesa da educação, especialmente pelo piso, valorização e reconhecimento. Em Aparecida, ela também é fundamental para dar continuidade às discussões da mesa de negociação com o município”, afirma o dirigente.
Segundo o presidente, a assembleia será um momento decisivo para avaliar o andamento das tratativas e definir os próximos passos da mobilização.
Entre os principais pontos da pauta estão a negociação das titularidades, as progressões verticais e horizontais, o pagamento do piso na carreira docente, a data-base dos administrativos, além do descongelamento previsto na Lei Complementar nº 226/2026 e do enquadramento conforme a Lei nº 15.326/2026. Também está em discussão o auxílio-alimentação dos servidores administrativos, além de outros itens da carta de reivindicações.
Antônio Carlos afirma que a realidade enfrentada pelos trabalhadores da rede municipal tem sido marcada por precarização das condições de trabalho e perdas salariais acumuladas ao longo dos anos. Entre os problemas, ele cita a superlotação em salas de aula e o não cumprimento de direitos básicos.
Ele também destaca a defasagem histórica em benefícios e progressões. Segundo o dirigente, mecanismos como titularidades e progressões vertical e horizontal vêm sendo negligenciados há mais de uma década, impactando diretamente na remuneração dos profissionais.
“O piso salarial, por exemplo, raramente é cumprido no prazo. O pagamento deveria começar em janeiro, como determina a lei, mas geralmente só ocorre entre abril e maio, sem o retroativo. Isso gera perdas recorrentes para os trabalhadores todos os anos”, pontua.
Outro ponto criticado é o auxílio-alimentação dos servidores administrativos, que permanece congelado há mais de 10 anos.
“O auxílio está fixado em R$ 60 há mais de uma década, o que evidencia a falta de valorização desses profissionais”, afirma.
A mobilização também busca assegurar o cumprimento de acordos firmados após a greve realizada no ano passado. Conforme o presidente, a Justiça reconheceu a legalidade do movimento e determinou a manutenção de uma mesa permanente de negociação com o município, com reuniões periódicas.
Nesse contexto, o sindicato defende a continuidade do diálogo, mas ressalta a necessidade de avanços concretos nas pautas apresentadas.
Por fim, o presidente reforça que as decisões sobre os rumos da mobilização serão tomadas coletivamente pela categoria durante a assembleia.
“Quem decide os rumos da luta são os trabalhadores. A direção do sindicato tem o papel de organizar e encaminhar aquilo que a categoria define como prioridade”, conclui.
No mesmo dia, os trabalhadores participam da Marcha da Classe Trabalhadora 2026, em Brasília, que reúne categorias de todo o país em defesa de direitos e melhores condições de trabalho.
Marcha da Classe Trabalhadora
A mobilização nacional tem como foco pautas como a redução da jornada de trabalho, o fim da escala 6×1, a valorização do salário mínimo, a geração de empregos decentes e o fortalecimento das negociações coletivas. Também estão entre as reivindicações a luta contra a pejotização, a regulação do trabalho por plataformas digitais e o avanço em políticas de saúde e segurança no trabalho.
A Regional Aparecida organizará um ponto de encontro para os trabalhadores interessados em participar da mobilização em Brasília. O sindicato oferecerá lanche e almoço aos participantes.