Estadão cobra transparência de Flávio Bolsonaro sobre repasses para o filme Dark Horse

Em editorial publicado nesta quinta-feira (27), o jornal O Estado de S. Paulo afirmou que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda deve explicações sobre o financiamento de sua produção cinematográfica, Dark Horse.

O veículo contestou a declaração do parlamentar de que a controvérsia envolvendo seus laços financeiros com o banqueiro Daniel Vorcaro seria uma “página virada”.De acordo com o editorial, a cobrança se mantém porque o pré-candidato não cumpriu a promessa feita em maio de apresentar uma prestação de contas detalhada sobre o uso dos recursos recebidos.

Na ocasião, Flávio estipulou um prazo de 30 dias para prestar esclarecimentos públicos; contudo, passados mais de três meses, a documentação prometida ainda não foi disponibilizada. Cobrança de transparência e postura públicaao ser novamente questionado por jornalistas, o senador reagiu com irritação e sugeriu que os dados fossem pesquisados na internet, argumentando que as informações já teriam sido prestadas.

O Estadão, por sua vez, ressalta que a declaração do parlamentar não encerra o tema, uma vez que investigações policiais apontam incertezas sobre despesas e ausência de comprovações fiscais.O jornal enfatiza que a origem e o destino do montante repassado por Vorcaro — envolvido em apurações sobre negócios financeiros sob suspeita — exigem total clareza.

Embora Flávio Bolsonaro sustente que se trata de uma transação privada sem o uso de verbas públicas, o veículo argumenta que a transparência é indispensável, sobretudo para um postulante ao Palácio do Planalto. Investigação da Polícia Federal e antecedentesA apuração conduzida pela Polícia Federal busca determinar o fluxo do dinheiro e checar se os valores foram aplicados fora da finalidade declarada.

O Estadão destaca que questionamentos jornalísticos e políticos não se confundem com juízo de culpa antecedente, que caberá exclusivamente às autoridades competentes.O editorial também menciona outros episódios na trajetória pública do senador — como as investigações sobre o caso das “rachadinhas”, a ligação com figuras de milícias e movimentações imobiliárias em dinheiro vivo — para fundamentar a exigência de escrutínio rigoroso.

Por fim, o jornal conclui que a condição de pré-candidato impõe o dever ético de apresentar documentos completos aos eleitores, e que a relação com o banqueiro não poderá ser tratada como encerrada até que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos.