Jingles: A música também pode ser usada para fixar mensagens?

Seja nas campanhas políticas, campanhas de conscientização, ou propagandas, a música é uma ferramenta importante, se bem usada, para fixar mensagens para o público, destaca Jeff Nuno, CEO da LUJO NETWORK e especialista em distribuição digital

De 2 em 2 anos o Brasil passa por um período eleitoral, mas para além da decisão do voto em si, há algo nesses períodos de pleito que marca profundamente o imaginário (e os ouvidos) da população, os jingles.

Em campanhas publicitárias, ações de conscientização e até disputas eleitorais, uma música pode fazer muito mais do que simplesmente acompanhar uma mensagem. Quando bem construída, ela pode ajudar o público a memorizar uma ideia, associar uma marca a determinado conceito e até fazer com que uma mensagem continue sendo lembrada muito tempo depois de ter sido apresentada.

Esse é um dos motivos pelos quais os jingles permanecem relevantes mesmo em um cenário dominado por vídeos curtos, redes sociais e conteúdos cada vez mais rápidos. A combinação entre melodia, repetição e palavras simples pode transformar uma informação em algo facilmente reconhecível.

Para Jeff Nuno, CEO da LUJO NETWORK e especialista em distribuição digital, a música possui uma capacidade particular de criar associações na memória.

“A música consegue trabalhar a mensagem de uma maneira diferente porque envolve emoção, repetição e identificação. Quando esses elementos são bem utilizados, a informação pode se tornar muito mais fácil de lembrar e até permanecer associada àquela experiência”, explica.

Por que uma música fica na cabeça?
O cérebro tende a reconhecer padrões sonoros e, quando uma determinada sequência é repetida diversas vezes, ela pode se tornar familiar. E é justamente essa característica musical que os jingles exploram.

Em vez de apresentar apenas uma frase publicitária, por exemplo, uma campanha pode transformá-la em uma melodia curta, com palavras simples e repetição estratégica. O objetivo é fazer com que o público consiga reconhecer e reproduzir aquela mensagem mesmo depois de ter contato com ela.

“Uma boa música publicitária não precisa necessariamente ser complexa. Muitas vezes, quanto mais simples, clara e fácil de reproduzir for a estrutura, maior pode ser a capacidade de o público lembrar daquele conteúdo”, afirma Jeff Nuno.

Não é apenas publicidade
Apesar de serem muito associados às marcas, os jingles também podem ser utilizados para transmitir mensagens de interesse público. Campanhas de vacinação, prevenção de doenças, educação no trânsito e conscientização social podem utilizar elementos musicais para tornar uma informação mais acessível.

Na política, a música também historicamente ocupa um espaço importante na construção de identidade e reconhecimento de campanhas. Uma melodia ou refrão pode ajudar a transformar uma mensagem política em um elemento facilmente reconhecível pelo eleitor.

“Isso acontece porque a música pode acrescentar uma dimensão emocional à comunicação. A mesma informação apresentada de maneira puramente textual pode produzir uma experiência diferente quando acompanhada de ritmo, voz e melodia”.

“O ambiente digital potencializou muito essa dinâmica. Hoje, uma música criada para uma campanha pode ser reutilizada pelo público, ganhar versões diferentes e circular em contextos que a própria marca não havia planejado inicialmente”, destaca Jeff Nuno.

Quando a música supera a mensagem
Um dos grandes desafios é justamente evitar que o jingle se torne mais lembrado do que aquilo que deveria comunicar. Uma música extremamente marcante pode permanecer na cabeça do público, mas não necessariamente transmitir corretamente o conceito, produto ou informação associado a ela.

“Se a pessoa lembra da música, mas não sabe o que ela estava comunicando, existe um problema de estratégia. O objetivo não é apenas criar algo que grude na cabeça, mas fazer com que a música ajude a fixar aquilo que realmente importa”, pontua.

“Quando existe uma estratégia por trás, a música pode transformar uma mensagem em uma experiência. E aquilo que é experimentado, repetido e associado a uma emoção tende a ter muito mais força na memória do público”, conclui Jeff Nuno.