Cenário é favorável à reeleição do presidente Lula nos maiores colégios eleitorais do País
Levantamentos da Genial/Quaest indicam avanço do presidente em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pernambuco; Bahia segue como principal reduto petista, apesar de leve oscilação negativa
A menos de três semanas do início oficial da campanha eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresenta um cenário mais favorável nos maiores colégios eleitorais do País do que o registrado no segundo turno de 2022. Segundo análise publicada pelo jornal O Globo, com base nas pesquisas Genial/Quaest, Lula melhora ou mantém seu desempenho nos principais estados, com destaque para o Rio de Janeiro.
Entre os quatro maiores colégios eleitorais brasileiros — São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia —, a única oscilação negativa para o presidente ocorre em território baiano. A variação, no entanto, é de apenas 1,2 ponto percentual e está dentro da margem de erro de três pontos.
Lula avança em São Paulo
Em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, Lula aparece com desempenho ligeiramente superior ao obtido há quatro anos. Em uma eventual disputa de segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), o presidente alcançaria uma votação 1,9 ponto percentual maior do que a registrada contra Jair Bolsonaro em 2022.
A variação está próxima da margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa aponta Flávio com vantagem de 6,6 pontos no estado. Em 2022, Lula perdeu para Jair Bolsonaro por 10,5 pontos entre os eleitores paulistas.
Mesmo derrotado em São Paulo naquela ocasião, o desempenho do petista foi considerado decisivo para sua vitória nacional, já que as campanhas presidenciais do PT trabalham historicamente com a expectativa de derrota no estado. O objetivo é reduzir a diferença e compensá-la em regiões mais favoráveis.
O principal risco para a campanha presidencial está na disputa pelo governo paulista. Fernando Haddad (PT) enfrenta dificuldades contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que pode vencer ainda no primeiro turno.
Caso isso ocorra, Lula poderá ficar sem um palanque estadual competitivo durante as semanas decisivas de um eventual segundo turno presidencial. Também permanece indefinido o grau de envolvimento de Tarcísio na campanha de Flávio Bolsonaro após uma possível vitória antecipada.
Minas Gerais mantém tendência nacional
Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral e tradicionalmente considerado um espelho do resultado nacional, Lula também apresenta avanço de 1,9 ponto percentual.
O presidente obteve 50,2% dos votos válidos no estado em 2022. Na nova simulação da Genial/Quaest, alcança 52,1%.
O cenário mineiro, porém, ainda é marcado por indefinições nas eleições estaduais. Flávio Bolsonaro esperava contar com o senador Cleitinho (Republicanos) como candidato ao governo, mas o partido indicou que não pretende levar o projeto adiante.
Líder nas pesquisas locais, Cleitinho caminha para não disputar a eleição, obrigando o PL a buscar uma nova alternativa para montar um palanque competitivo em Minas Gerais.
Rio apresenta maior recuperação
O Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do País e berço político do bolsonarismo, é o estado onde Lula apresenta a recuperação mais significativa.
Segundo a pesquisa, o presidente teria 4,4 pontos percentuais a mais entre os votos válidos na comparação com 2022. O crescimento supera a margem de erro de três pontos.
Na projeção atual, Lula perderia para Flávio Bolsonaro por 4,2 pontos no estado. Em 2022, a diferença para Jair Bolsonaro foi de 13 pontos, equivalente a quase 1,3 milhão de votos.
O PT aposta nas crises enfrentadas pelo PL fluminense, na força eleitoral do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), líder das pesquisas para o governo, e na retirada da máquina estadual das mãos do grupo bolsonarista.
Entre 2002 e 2014, o PT venceu todas as eleições presidenciais no Rio de Janeiro no segundo turno. A tendência foi revertida com a ascensão do bolsonarismo, que obteve votações expressivas no estado em 2018 e 2022.
“Onde Lula mais pode crescer, e está crescendo, é no Rio. Crescendo pelo centro. O palanque é amplo”, afirmou Washington Quaquá (PT), prefeito de Maricá e coordenador da campanha presidencial no estado.
“Espero que o Rio ajude o presidente a resolver a eleição no primeiro turno”, acrescentou.
Bahia segue como principal reduto
Na Bahia, principal reduto eleitoral do PT entre os grandes colégios, Lula aparece com 70,9% dos votos válidos. Apesar da vantagem expressiva, o índice representa uma oscilação negativa de 1,2 ponto em relação ao resultado de 2022.
A diferença está dentro da margem de erro de três pontos percentuais.
O desafio petista no estado está associado à disputa pelo governo. O governador Jerônimo Rodrigues busca a reeleição contra o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), adversário considerado competitivo.
Em uma eleição presidencial apertada, qualquer redução da vantagem de Lula no estado pode ter impacto relevante sobre o resultado nacional.
Pernambuco amplia vantagem
Em Pernambuco, Lula aparece em posição ainda mais confortável do que em 2022. A projeção indica crescimento de 3,8 pontos percentuais.
O presidente também tende a se beneficiar da ausência de uma oposição estadual fortemente vinculada ao bolsonarismo.
Os dois principais candidatos ao governo mantêm algum grau de proximidade com Lula. A governadora Raquel Lyra (PSD) atua como aliada pragmática do governo federal, enquanto o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) possui aliança formal com o presidente.
Oscilações no Paraná e no Pará
No Paraná e no Pará, os movimentos registrados estão dentro das respectivas margens de erro.
No estado paranaense, onde Lula enfrenta maior resistência eleitoral, a variação negativa foi de 1,7 ponto percentual. No Pará, vencido pelo presidente em 2022, houve recuo de apenas 0,5 ponto.
As próximas pesquisas estaduais devem medir o cenário no Ceará e no Rio Grande do Sul. O caso cearense desperta atenção especial por causa da candidatura do ex-governador Ciro Gomes (PSDB), que pode ameaçar a hegemonia estadual do PT e afetar o desempenho de Lula.
O Ceará é governado pelo petista Elmano de Freitas, que disputará a reeleição.
Margens de erro recomendam cautela
Embora as pesquisas indiquem tendências favoráveis ao presidente, a maior parte das variações permanece dentro ou próxima das margens de erro.
O cientista político Antonio Lavareda, fundador do Ipespe, também ressalta que pesquisas eleitorais e resultados efetivos não são diretamente comparáveis, porque parte dos eleitores que declara voto em Lula pode posteriormente se abster ou votar em branco ou nulo.
“Lula é quem mais perde intenções de voto para a abstenção e até para os que votam nulo”, afirmou.
Segundo Lavareda, feitas essas ressalvas, os levantamentos continuam sendo instrumentos válidos para a compreensão da conjuntura eleitoral. www.brasil247.com