Casos de infarto em pessoas mais jovens ampliam debate sobre prevenção

Dia Mundial do Coração chama atenção para hábitos e condições que podem aumentar o risco cardiovascular ao longo da vida

As doenças do coração representam cerca de 31% das mortes no Brasil e são responsáveis por aproximadamente 400 mil óbitos por ano, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). A entidade estima ainda que até 80% desses problemas poderiam ser evitados com hábitos mais saudáveis, acompanhamento médico e controle adequado dos fatores de risco.

O tema ganha ainda mais atenção com a proximidade do Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro. Embora infarto e outras doenças cardíacas sejam frequentemente associados ao envelhecimento, a ocorrência também entre pessoas mais jovens amplia a importância da prevenção desde cedo.

“Hoje, grande parte do trabalho da Cardiologia está justamente no controle dos fatores de risco que podem ser modificados. Mudanças de hábito e acompanhamento adequado podem reduzir significativamente as chances de complicações ao longo da vida”, observa a cardiologista, diretora médica do Instituto de Neurologia de Goiânia e do Hospital Encore, em Aparecida de Goiânia, Débora Rodrigues.

A doença arterial coronariana (DAC), também chamada de doença isquêmica do coração, está entre as condições mais frequentes. Ela ocorre quando as artérias responsáveis por levar sangue ao músculo cardíaco ficam estreitadas ou obstruídas, geralmente em decorrência da aterosclerose. Entre as principais manifestações estão angina, infarto agudo do miocárdio e insuficiência cardíaca.

Os fatores de risco podem ser divididos entre modificáveis e não modificáveis. Idade e predisposição genética estão entre aqueles que não podem ser alterados. Já obesidade, colesterol elevado, hipertensão, diabetes, sedentarismo, tabagismo e estresse emocional estão entre as condições que podem ser controladas ou reduzidas.

Atenção também entre os mais jovens

Nessa faixa etária, alguns fatores merecem atenção especial. Tabagismo, sedentarismo, estresse emocional, uso de drogas ilícitas ou estimulantes, alterações que favorecem a coagulação sanguínea e uso de hormônios sem recomendação médica podem elevar o risco de infarto e outras complicações.

A prática regular de atividade física também tem papel importante na proteção do coração. Pessoas com melhor condicionamento físico tendem a apresentar maior expectativa de vida, e estudos apontam redução superior a 30% no risco de morte relacionada a problemas cardíacos entre indivíduos fisicamente ativos.

Parar de fumar está entre as medidas de maior impacto para diminuir esse risco. O cigarro contribui para alterações nas artérias e aumenta as chances de infarto, enquanto a interrupção do hábito traz benefícios progressivos à saúde.

O acompanhamento médico permite identificar alterações mesmo antes do aparecimento de sintomas, estimar o risco individual e atuar sobre condições que podem ser controladas. Em geral, uma avaliação cardiológica mais ampla ganha importância a partir dos 40 anos, embora alguns cuidados devam começar muito antes.

A aferição da pressão arterial, por exemplo, deve fazer parte do acompanhamento desde a vida adulta. Dados divulgados pela SBC, com base no Vigitel, mostram que a prevalência de hipertensão no país passou de 22,6% em 2006 para 29,7% em 2024. Pessoas com diabetes, pressão alta, colesterol elevado ou histórico familiar de infarto ou AVC precoce podem precisar iniciar a avaliação cardiológica antes dos 40 anos.

“O check-up não serve apenas para procurar uma doença já instalada. Ele também permite identificar fatores de risco e agir antes que apareçam complicações. Esse é um dos principais caminhos para reduzir mortes e preservar a saúde do coração”, acrescenta Débora Rodrigues.